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Wednesday, March 09, 2011

Transparência, Justiça e Liberdade


Apresenação do livro Transparência, Justiça e Liberdade - Em memória de Saldanha Sanches no próximo dia 10 de Março (quinta-feira), na Fnac do Chiado, pelas 18h30.
Autor: Luís de Sousa e Domitília Soares (participação de A. Barreto, A. Dores, C. Pimenta, E. Burgoa, J. Triães, J. A. Maltez, M. J. Morgado, M. Fernandes, N. Gonçalves, O. Afonso, P. Morais e P. Morgado).
Editora: RCP Edições
Sobre o livro:«Ou nos resignamos, ou combatemos».

A mensagem de José Luís Saldanha Sanches continua mais actual do que nunca.O exemplo e a obra permanecem vivos.Luís de Sousa, Domitília Soares e mais doze autores convidados escrevem sobre os temas que marcaram a vida do «inimigo da corrupção que o povo ouvia».A homenagem a uma das figuras públicas mais relevantes da história da Democracia portuguesa é um tributo justo e sentido a quem esteve sempre do lado da Transparência, da Justiça e da Liberdade, antes e depois do 25 de Abril, no palco da comunicação social e nas salas de aula da universidade, tanto na vida privada como na vida pública, com a esquerda ou a direita no poder.

Monday, September 06, 2010

A nossa Constituição: o que está escrito e o que não se cumpre

O Público de ontem ( domingo) deu destaque na 1ª Página a uma reportagem cujo tema é “Quanto custa educar um filho?”. Não se percebe de que estão a falar. A Constituição diz que cabe ao Estado estabelecer progressivamente a gratuitidade de todos os graus de ensino e a criação de uma rede de estabelecimentos públicos de ensino que cubra as necessidades de toda a população. Educar um filho é, 35 anos após a gloriosa revolução de Abril, totalmente gratuito.
Andam a propagar a mentira de que o futebolista José Torres terá tido dificuldades financeiras no fim da vida, agravados pelo facto de sofrer de Alzheimer. Não pode ser verdade porque a Constituição portuguesa garante que o direito à protecção da saúde é realizado através de um serviço nacional de saúde universal e geral e, tendo em conta as condições económicas e sociais dos cidadãos, tendencialmente gratuito.
As pessoas continuam a pensar de forma individualista e burguesa procurando dar aos filhos uma educação elitista e desejando para os velhos autonomia financeira para lidar com a adversidade. Esta é uma forma de pensar ultrapassada. O Estado está aí para assegurar a saúde e a educação e ninguém precisa de ter ambições egoístas nessa matéria.

Intrusos ao pequeno almoço

Todos os dias de manhã, ao pequeno almoço, recorde que os socialistas violaram a sua privacidade e vigiam a sua mesa. Desde meados de Agosto, segundo determinação deste governo, o seu pão tem o sal que os socialistas entendem.
Um pobre pateta pousando como jornalista elogiou a medida num noticiário televisivo da data, dizendo que Portugal é um dos poucos países ocidentais que dispõem de «tal legislação». Não lhe ocorreu que uma das razões por que não «dispõem» é que um dos atributos dos países civilizados é serem meticulosos na defesa da liberdade.

Thursday, May 13, 2010

Um Mar de Lama Escorre... Como pode tal criatura permanecer como Primeiro -ministro ?

( artigo de Miguel Urbano Tavares Rodrigues)

Pertenço a uma geração que se tornou adulta durante a II Guerra Mundial.
Acompanhei com espanto e angústia a evolução lenta da tragédia que durante quase seis anos desabou sobre a humanidade. Desde a capitulação de Munique, ainda adolescente, tive dificuldade em entender porque não travavam a França e a Inglaterra o III Reich alemão. Pressentia que a corrida para o abismo não era uma inevitabilidade. Podia ser detida.Em Maio de 1945, quando o último tiro foi disparado e a bandeira soviética içada sobre as ruínas do Reichstag, em Berlim, formulei como milhões de jovens em todo o mundo a pergunta
«Como foi possível?»
Hitler suicidara-se uma semana antes. Naqueles dias sentíamos o peso de um absurdo para o qual ninguém tinha resposta. Como pudera um povo de velha cultura, o alemão, que tanto contribuíra para o progresso da humanidade, permitir passivamente que um aventureiro aloucado exercesse durante 13 anos um poder absoluto. A razão não encontrava explicação para esse absurdo que precipitou a humanidade numa guerra apocalíptica (50 milhões de mortos) que destruiu a Alemanha e cobriu de escombros a Europa?
Muitos leitores ficarão chocados a por evocar, a propósito da crise portuguesa, o que se passou na Alemanha a partir dos anos 30.Quero esclarecer que não me passa sequer pela cabeça estabelecer paralelos entre o Reich hitleriano e o Portugal agredido por Sócrates. Qualquer analogia seria absurda.São outros o contexto histórico, os cenários, a dimensão das personagens e os efeitos.
Mas hoje também em Portugal se justifica a pergunta «Como foi possível?»Sim. Que estranho conjunto de circunstâncias conduziu o País ao desastre que o atinge? Como explicar que o povo que foi sujeito da Revolução de Abril tenha hoje como Primeiro-ministro, transcorridos 35 anos, uma criatura como José Sócrates? Como podem os portugueses suportar passivamente há mais de cinco anos a humilhação de uma política autocrática, semeada de escândalos, que ofende a razão e arruína e ridiculariza o Pais perante o Mundo?O descalabro ético socrático justifica outra pergunta: como pode um Partido que se chama Socialista (embora seja neoliberal) ter desde o início apoiado maciçamente com servilismo, por vezes com entusiasmo, e continuar a apoiar, o desgoverno e despautérios do seu líder, o cidadão Primeiro-ministro?Portugal caiu num pântano e não há resposta satisfatória para a permanência no poder do homem que insiste em apresentar um panorama triunfalista da política reaccionária responsável pela transformação acelerada do país numa sociedade parasita, super endividada, que consome muito mais do que produz.
Pode muita gente concluir que exagero ao atribuir tanta responsabilidade pelo desastre a um indivíduo. Isso porque Sócrates é, afinal, um instrumento do grande capital que o colocou à frente do Executivo e do imperialismo que o tem apoiado. Mas não creio neste caso empolar o factor subjectivo.
Não conheço precedente na nossa História para a cadeia de escândalos maiúsculos em que surge envolvido o actual Primeiro-ministro.
Ela é tão alarmante que os primeiros, desde o mistério do seu diploma de engenheiro, obtido numa universidade fantasmática (já encerrada), aparecem já como coisa banal quando comparados com os mais recentes.O último é nestes dias tema de manchetes na Comunicação Social e já dele se fala além fronteiras.É afinal um escândalo velho, que o Presidente do Supremo Tribunal e o Procurador-geral da República tentaram abafar, mas que retomou actualidade quando um semanário divulgou excertos de escutas do caso Face Oculta.Alguns despachos do procurador de Aveiro e do juiz de instrução criminal do Tribunal da mesma comarca com transcrições de conversas telefónicas valem por uma demolidora peça acusatória reveladora da vocação liberticida do governo de Sócrates para amordaçar a Comunicação Social.Desta vez o Primeiro-ministro ficou exposto sem defesa. As vozes de gente sua articulando projectos de controlo de uma emissora de televisão e de afastamento de jornalistas incómodos estão gravadas.Não há desmentidos que possam apagar a conspiração.
Um mar de lama escorre dessas conversas, envolvendo o Primeiro-ministro. A agressiva tentativa de defesa deste afunda-o mais no pântano. Impossibilitado de negar os factos, qualifica de «infame» a divulgação daquilo a que chama «conversas privadas».Basta recordar que todas as gravações dos diálogos telefónicos de Sócrates com o banqueiro Vara, seu ex-ministro foram mandadas destruir por decisão (lamentável) do Presidente do Supremo Tribunal de Justiça, para se ter a certeza de que seriam muitíssimo mais comprometedoras para ele do que as «conversas privadas» que tanto o indignam agora, divulgadas aliás dias depois de, num restaurante, ter defendido, em amena «conversa» com dois ministros seus, a necessidade de silenciar o jornalista Mário Crespo da SIC Noticias.Não é apenas por serem indesmentíveis os factos que este escândalo difere dos anteriores que colocaram José Sócrates no banco dos réus do Tribunal da opinião pública. Desta vez a hipótese da sua demissão é levantada em editoriais de diários que o apoiaram nos primeiros anos e personalidades políticas de múltiplos quadrantes afirmam sem rodeios que não tem mais condições para exercer o cargo.
O cidadão José Sócrates tem mentido repetidamente ao País, com desfaçatez e arrogância, exibindo não apenas a sua incompetência e mediocridade, mas, o que é mais grave, uma debilidade de carácter incompatível com a chefia do Executivo.
Repito: como pode tal criatura permanecer como Primeiro-ministro?
Até quando, Sócrates, teremos de te suportar?

Miguel Urbano Tavares Rodrigues

Tuesday, February 09, 2010

Todos pela liberdade


Podem assinar aqui o manifesto já subscrito por vários bloggers.

Friday, February 05, 2010

Estado de Direito

"das conversações entre Paulo Penedos e Armando Vara resultaram indícios muito fortes da existência de um plano em que está directamente envolvido o Governo, nomeadamente o primeiro-ministro, visando o controlo da estação de televisão TVI e o afastamento da jornalista Manuela Moura Guedes e do seu marido, José Eduardo Moniz, para controlar o teor das notícias".

Isto consta do despacho emitido pelo Juiz de Instrução do processo Face Oculta. Hoje sabemos que este despacho foi considerado irrelevante. A pergunta que coloco é se a justificação para colocar na gaveta este processo foi legítima, isenta de pressões e correcta para o bom funcionamento do Estado de Direito. É que se um responsável por uma investigação chega às conclusões acima descritas, não seria mesmo necessário investigar esses dados? Ou não interessa para nada? Não seria preciso haver justificações plausíveis e acima de qualquer suspeita para a "morte" deste processo? E se o Juiz actuou de forma errada, pergunto: ainda está em funções?

Perguntas oportunas

"Quando será que o PS democrático se livra de Sócrates e retoma o seu lugar de partido fundamental à democracia?"
"Não têm os socialistas-democráticos vergonha do seu líder e da sua política de desinformação e contra as liberdades de expressão?"
"Quando será que o País se livra de Sócrates para retomar a normalidade democrática no domínio fundamental das relações entre a política e a comunicação social?"
(Eduardo Cintra Torres, hoje, no Público)

Wednesday, October 21, 2009

O Governo português não respeita o trabalho dos jornalistas

A organização Repórteres Sem Fronteiras considera que a liberdade de imprensa diminuiu este ano em Portugal, com uma queda do 16.º para o 30.º lugar na lista dos países que mais respeitam o trabalho dos jornalistas.
Ver artigo do SOL

No entanto o ministro da Propaganda- O malhador , afirma que o país está bem colocado

Tuesday, October 06, 2009

Controlar a imprensa

O responsável pelo cancelamento do Jornal Nacional de 6.ª assumiu que a decisão foi tomada com o intuito de não interferir na campanha eleitoral através da revelação de novos factos sobre os casos Freeport e Casa Pia. Estou arrepiado.Partindo do pressuposto que o sr. Bernardo Bairrão fala verdade e que tomou uma decisão danosa para a empresa com o propósito de não interferir na campanha, há que lhe explicar que, infelizmente, interferiu. E muito. É que ao não divulgar informações novas sobre casos importantes e caros para os portugueses, a empresa acabou por beneficiar o partido em questão. Acabou por, efectivamente, ter um papel importantíssimo na eleição do sr. Sousa . Agradeçam-lhes.

Thursday, September 03, 2009

Contos proibidos



Esta "peça" no i sobre o livro Contos Proibidos de Rui Mateus é superficial como quase tudo o que hoje se publica nos jornais. Mas não é por isso que não é importante. Tem a coragem de recordar, e bem, um dos casos mais graves de total desrespeito pela liberdade em Portugal depois do 25 de Abril. Só tenho pena que o i não tenha citado um texto sobre o livro que um então jovem, já ex. comunista, escreveu na revista do Expresso sobre os méritos de Rui Mateus e dos Contos Proibidos e as para ele, jovem ex. comunista, indiscutíveis malfeitorias praticadas por Mário Soares y sus muchachos.

Saturday, February 21, 2009

Docentes amordaçados e acorrentados em desfile de Carnaval





Os professores do Agrupamento de Escolas de Paredes de Coura cumpriram as ordens da DREN: realizaram, ontem , sexta feira, o desfile de Carnaval. Mas fizeram-no sob protesto e com o único propósito de expressar solidariedade à PCE, Cecília Terleira. Os docentes desfilaram amordaçados e acorrentados. Recordo que a PCE fora impedida de prestar declarações aos jornalistas. "Vamos contrariados e desmoralizados, mas vamos, porque fomos obrigados a ir por uma determinada directora regional", afirmou Cecília Terleira. Os professores tinham cancelado o desfile por falta de tempo para o preparar, queixando-se de estar atafulhados de trabalho com os processos de eleição para o CGT, avaliação de desempenho, provas de aferição e exames nacionais. A directora regional de educação do Norte, Margarida Moreira, enviara um email , na terça-feira passada, a ordenar a realização do desfile

Thursday, February 19, 2009

Regresso da Censura

Enquanto a dra. Cândida Almeida continua nas suas funções de "comentadora" na Rádio Renascença (que acumula com a direcção do DCIAP), o Ministério Público de Torres Vedras anda preocupado com a "seriedade" do "Magalhães" a ponto de proibir uma brincadeira qualquer. Como escreve o João Villalobos, isto «revela que o Ministério Público vive na estratosfera, indiferente a que a reputação do nosso sistema de justiça se encontre nas ruas da amargura. Enquanto os portugueses comentam nos cafés o caos e atraso dos processos e a ineficácia da máquina judicial, decide o dito Ministério Público atacar um carro alegórico carnavalesco.»

Tuesday, December 02, 2008

P(into) de S(ousa) é a maior ameaça contra a liberdade nos últimos 30 anos.Quem o afirma é António Barreto

NÃO SEI SE SÓCRATES É FASCISTA. Não me parece, mas,sinceramente, não sei. De qualquer modo, o importante não está aí. O que ele não suporta é a independência dos outros, das pessoas, das organizações, das empresas ou das instituições. Não tolera ser contrariado, nem admite que se pense de modo diferente daquele que organizou com as suas poderosas agências de intoxicação a que chama de comunicação. No seu ideal de vida, todos seriam submetidos ao Regime Disciplinar da Função Pública, revisto e reforçado pelo seu governo. O Primeiro-ministro José Sócrates é a mais séria ameaça contra a liberdade, contra autonomia das iniciativas privadas e contra a independência pessoal que Portugal conheceu nas últimas três décadas. TEMOS DE RECONHECER: tão inquietante quanto esta tendência insaciável para o despotismo e a concentração de poder é a falta de reacção dos cidadãos. A passividade de tanta gente. Será anestesia? Resignação? Acordo? Só se for medo...
Fonte: António Barreto, no Público de 30/11/08.
Leia o resto do artigo Sócrates e a Liberdade.

Friday, April 25, 2008

Para refletir- texto de um economista


Um texto, recente, que merece atenção. Não é frequente ver um economista produzir destes pensamentos. Talvez seja por os vermos mais ligados aos números. Mas há quem veja para além deles e não se deixe iludir.
Pela liberdade
Os desafios são universais. A resposta só pode ser universal. Não há, por isso, espaço para divisões entre os que querem a liberdade.
António Neto da Silva
Vamos continuar a viver divisões ou iremos trabalhar, juntos, para defender os direitos do homem e o primado do Direito? Iremos nós atraiçoar as gerações futuras permitindo que, devido às fragilidades que nos dividem, a civilização que herdamos se desintegre e o planeta se torne inabitável?Estamos em uma época em que há que unir e não separar; uma época de solidariedade, não de hostilidade; de cooperação, não de competição. De facto, avizinha-se um período difícil, em que teremos que voltar a lutar pelos direitos do homem, pela democracia, pela razão e pela liberdade. A humanidade, a nossa sociedade, estão mergulhadas num silêncio ensurdecedor, provocado pela manipulação dos nossos subconscientes, feita por forças que utilizam técnicas muito sofisticadas de propaganda, baseadas em estudos psicológicos e que utilizam os meios electrónicos de comunicação de massas para nos condicionarem.De facto, os cidadãos estão a perder a capacidade de utilizarem a razão para fazerem as suas escolhas. O debate das ideias está anestesiado. É por isso que somos colectivamente essenciais para a sobrevivência dos valores estruturais que formataram o século XX e que, com dificuldade, se mantêm no início deste séc. XXI. Estamos em uma encruzilhada crítica. Os desafios são universais. A resposta só pode ser universal. Não há, por isso, espaço para divisões entre os que querem a liberdade.O período de ouro que tivemos a felicidade de viver e que devemos a muitos homens e mulheres notáveis que nos precederam, está em grave risco. Identifico, como principais desafios, os seguintes:
1. O individualismo excessivo que caracteriza os dias de hoje;
2. Os fundamentalismos religiosos e os seus derivados, os terrorismos religiosos;
3. O abuso de poder dos governos nas democracias, com a justificação da necessidade de defender os cidadãos face ao terrorismo, mas que pode vir a revelar-se tão mau para as sociedades livres como aquele;
4. O desaparecimento das ideologias (e a consequente convergência para estruturas equivalentes a partidos únicos);
5. A construção, em sentido unívoco, da opinião e o adormecimento consequente das consciências;
6. A globalização competitiva com a ideologia dominante da eficiência e da competitividade;
7. O esgotamento dos recursos naturais que sustentam a vida humana no planeta.Não esgotei os factores que tendem a destruir a liberdade.
Mas são estes os principais.Vivemos numa época de perplexidade. Queixamo-nos sistematicamente da desagregação das famílias, da insegurança nas ruas e nas casas, do desrespeito pelas instituições, pelas pessoas, da falta à verdade de governos e de governados, dos escândalos envolvendo os mais altos dignitários das nações, uns baseados em verdade, outros inventados e manipulados pelos media, que destroem homens e as suas famílias, por mais honrados que sejam, para abrir caminho a outros ávidos de poder e sem escrúpulos. A opinião pública ri-se quando se fala de valores fundamentais como honestidade, caridade, dimensão de estado, da simples noção de servir os países, o mundo ou os semelhantes. Ri-se por não considerar possível haver verdade nessas intenções ou desinteresse na sua prática.A noção de construção de um futuro comum parece ter-se desintegrado.A razão fundamental para este estado de coisas advém do facto de a última década do séc. XX e a entrada no séc. XXI se caracterizarem pelo triunfo do individualismo. É este individualismo que está a levar a sociedade para um caminho de perplexidade.Hoje, o que quer que desejemos, o mercado fornece. A nossa vida é marcada por algo que nos está subjacente e que a publicidade permanentemente nos inculca: “tenha tudo sempre de acordo com o seu desejo”. Em consequência, a sociedade ocidental está hoje fragmentada em milhões de indivíduos.O sentido de grupo ou de comunidade perdeu-se. Não pensamos em “nós” mas em “mim”. O “eu” é soberano. O interesse do grupo, do país, do Estado ou do planeta estão literalmente marginalizados na nossa postura. É preciso mudar e, por isso, tratarei do individualismo destrutivo, de forma mais aprofundada, no próximo artigo.
António Neto da Silva, Economista

Wednesday, April 09, 2008

Sócrates e a Liberdade- artigo de António Barreto


SÓCRATES E A LIBERDADE,por António Barreto in 'Publico'
EM CONSEQUÊNCIA DA REVOLUÇÃO DE 1974 , criou raízes entre nós a ideia de que qualquer forma de autoridade era fascista. Nem mais, nem menos.Um professor na escola exigia silêncio e cumprimento dos deveres?Fascista! Um engenheiro dava instruções precisas aos trabalhadores no estaleiro? Fascista! Um médico determinava procedimentos específicos no bloco operatório? Fascista! Até os pais que exerciam as suas funções educativas em casa eram tratados de fascistas.Pode parecer caricatura, mas essas tontices tiveram uma vida longa e inspiraram decisões, legislação e comportamentos públicos. Durante anos, sob a designação de diálogo democrático, a hesitação e o adiamento foram sendo cultivados, enquanto a autoridade ia sendo posta em causa. Na escola, muito especialmente, a autoridade do professor foi quase totalmente destruída. EM TRAÇO GROSSO, esta moda tinha como princípio a liberdade. Os denunciadores dos 'fascistas' faziam-no por causa da liberdade. Os demolidores da autoridade agiam em nome da liberdade. Sabemos que isso era aparência: muitos condenavam a autoridade dos outros, nunca a sua própria; ou defendiam a sua liberdade, jamais a dos outros. Mas enfim,a liberdade foi o santo e a senha da nova sociedade e das novas culturas. Como é costume com os excessos, toda a gente deixou de prestar atenção aos que, uma vez por outra, apareciam a defender a liberdade ou a denunciar formas abusivas de autoridade. A tal ponto que os candidatos a déspota começaram a sentir que era fácil atentar,aqui e ali, contra a liberdade: a capacidade de reacção da população estava no mais baixo. POR ISSO SINTO INCÓMODO em vir discutir, em 2008, a questão da liberdade. Mas a verdade é que os últimos tempos têm revelado factos e tendências já mais do que simplesmente preocupantes. As causas desta evolução estão, umas, na vida internacional, outras na Europa, mas a maior parte residem no nosso país. Foram tomadas medidas e decisões que limitam injustificadamente a liberdade dos indivíduos. A expressão de opiniões e de crenças está hoje mais limitada do que há dez anos. A vigilância do Estado sobre os cidadãos é colossal e reforça-se. A acumulação, nas mãos do Estado, de informações sobre as pessoas e a vida privada cresce e organiza-se. O registo e o exame dos telefonemas, da correspondência e da navegação na Internet são legais e ilimitados. Por causa do fisco, do controlo pessoal e das despesas com a saúde, condiciona-se a vida de toda a população e tornam-se obrigatórios padrões de comportamento individual. O CATÁLOGO É ENORME. De fora, chegam ameaças sem conta e que reduzem efectivamente as liberdades e os direitos dos indivíduos. A Al Qaeda, por exemplo, acaba de condicionar a vida de parte do continente africano, de uma organização europeia, de milhares de desportistas e de centenas de milhares de adeptos. Por causa das regulações do tráfego aéreo, as viagens de avião transformaram-se em rituais de humilhação e desconforto atentatórios da dignidade humana. Da UniãoEuropeia chegam, todos os dias, centenas de páginas de novas regulações e directivas que, sob a capa das melhores intenções do mundo, interferem com a vida privada e limitam as liberdades. Também da Europa nos veio esta extraordinária conspiração dos governos com ofim de evitar os referendos nacionais ao novo tratado da União. MAS NEM É PRECISO IR LÁ FORA. A vida portuguesa oferece exemplos todos os dias. A nova lei de controlo do tráfego telefónico permite escutar e guardar os dados técnicos (origem e destino) de todos os telefonemas durante pelo menos um ano. Os novos modelos de bilhete de identidade e de carta de condução, com acumulação de dados pessoais e registos históricos, são meios intrusivos. A vídeovigilância, sem limites de situações, de espaços e de tempo, é um claro abuso. A repressão e as represálias exercidas sobre funcionários são já publicamente conhecidas e geralmente temidas A politização dos serviços de informação e a sua dependência directa da Presidência do Conselho deMinistros revela as intenções e os apetites do Primeiro-ministro. A interdição de partidos com menos de 5.000 militantes inscritos e a necessidade de os partidos enviarem ao Estado a lista nominal dos seus membros é um acto de prepotência. A pesada mão do governo agiu naCaixa Geral de Depósitos e no Banco Comercial Português com intuitos evidentes de submeter essas empresas e de, através delas, condicionar os capitalistas, obrigando-os a gestos amistosos. A retirada dos nomes dos santos de centenas de escolas (e quem sabe se também, depois, de instituições, cidades e localidades) é um acto ridículo de fundamentalismo intolerante. As interferências do governo nos serviços de rádio e televisão, públicos ou privados, assim como na 'comunicaçãosocial' em geral, sucedem-se. A legislação sobre a segurança alimentar e a actuação da ASAE ultrapassaram todos os limites imagináveis da decência e do respeito pelas pessoas. A lei contra o tabaco está destituída de qualquer equilíbrio e reduz a liberdade. NÃO SEI SE SÓCRATES É FASCISTA. Não me parece, mas, sinceramente, não sei. De qualquer modo, o importante não está aí. O que ele não suporta é a independência dos outros, das pessoas, das organizações, das empresas ou das instituições. Não tolera ser contrariado, nem admite que se pense de modo diferente daquele que organizou com as suas poderosas agências de intoxicação a que chama de comunicação. No seu ideal de vida, todos seriam submetidos ao Regime Disciplinar da FunçãoPública, revisto e reforçado pelo seu governo. O Primeiro-ministro José Sócrates é a mais séria ameaça contra a liberdade, contra autonomia das iniciativas privadas e contra a independência pessoal que Portugal conheceu nas últimas três décadas TEMOS DE RECONHECER: tão inquietante quanto esta tendência insaciável para o despotismo e a concentração de poder é a falta de reacção dos cidadãos. A passividade de tanta gente. Será anestesia? Resignação?Acordo? Só se for medo...
António Barreto \ Público'