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Monday, December 17, 2012

Os anos devastadores do Eduquês

O país chegou ao estado actual fruto da incompetência e desonestidade dos políticos e também aos anos devastadores de Eduquês, No vídeo seguinte, questiona-se como foi possível em democracia os melhores serem governados pelos piores,e a questão da compra de licenciaturas nalgumas universidades privadas Apresentação por Guilherme Valente no Rómulo- Centro Ciência Viva da Universidade de Coimbra do seu livro "Os Anos Devastadores do Eduquês".

Thursday, December 15, 2011

Ana Benavente furiosa com a nova reforma curricular

Ana Benavente, defensora do eduquês e do facilitismo, está furiosa com um despacho de Nuno Crato que põe fim à vigência do documento Currículo Nacional do Ensino Básico – Competências Essenciais. Nesse despacho o ministro escreve que ao erigir a categoria de “competências como orientadora de todo o ensino, [o documento revogado] menorizou o papel do conhecimento e da transmissão e conhecimentos, que é essencial a todo o ensino”. Para desmontar o eduquês, Nuno Crato acrescenta que “é decisivo que, no futuro, não se desvie a atenção dos elementos essenciais, isto é, os conteúdos, e que estes se centrem nos aspetos fundamentais”. O que enfurece a antiga secretária de Estado de Guterres, para quem “há quem queira uma escola centrada nos programas, nós queremos uma escola centrada nas aprendizagens. Foi esse o objetivo do documento das competências essenciais”, o tal que acaba de ser revogado.


Thursday, October 06, 2011

O Estatuto do aluno de Ana Benavente

Retirado do blog ProfBlog de Ramiro Marques

Foi a ex-secretária de estado da educação e inovação, Ana Benavente, a criadora do Estatuto do Aluno. Foi uma criação do socialismo romântico guterrista. Bem intencionado mas com resultados desastrosos.
Ana Benavente foi buscar a ideia ao Movimento da Escola Moderna, uma corrente pedagógica inspirada na obra e prática de Celestin Freinet, um conhecido e muito popular pedagogo francês ligado ao Partido Comunista nos anos 50 e 60 do século passado. E Fê-lo com convicção e genuína autenticidade.

O objetivo era fazer do Estatuto do Aluno um instrumento de educação para a democracia. Na verdade, educação para o socialismo, numa mistura de pedagogia romântica rousseauniana - todos os alunos são bons rapazes e raparigas porque não há maldade na natureza humana - , e de pedagogia construtivista, com umas pitadas de Piaget e Kohlberg.

Para estas correntes, o único conhecimento escolar válido é o que a criança constrói. O aluno é visto como um parceiro do professor, ambos igualmente responsáveis pelo clima e ethos da sala de aula. Com direitos e deveres. Valha a verdade, no caso dos alunos, mais direitos do que deveres.
Na prática, esta pretensa igualização dos direitos e deveres de alunos e professores, igualmente responsáveis pelo ethos da sala de aula, traduziu-se na perda de direitos dos professores e na sua incapacidade para impor qualquer tipo de autoridade.

O Estatuto do Aluno tem de ser visto à luz das reformas que o acompanharam durante os consulados guterristas e socratinos. E a luz que permite ver as consequências dessas reformas é a que brota da ideologia que faz da escola um instrumento de eleição para a construção da igualdade. Um processo de engenharia social que tramou os professores.

A tese "não há rapazes maus" é desmentida diariamente nas escolas portuguesas. Em vez de um Estatuto do Aluno, focado nos direitos, seria preferível um código de conduta centrada nas normas e regras. Mas isso vai contra todas as regras da escola como instrumento de engenharia social.

Cada novo diploma era visto como uma peça no processo de engenharia social de construção da sociedade igualitária recriada pela nova esquerda socialista sob os escombros do Muro de Berlim. Simultaneamente, os novos diplomas iam amarrando os professores a uma teia burocrática que tinha e tem como principal objetivo justificar o processo de engenharia social e reprimir o mérito e a excelência. Uma chuva de diplomas que criou e justificou as novas funções dos professores. Para cada nova função, mais reuniões, mais planos e mais relatórios. Até que os professores, sufocados por tanta burocracia, exaustos de tantas novas funções, sairam para a rua em 2008 e 2009, aos gritos "deixem-nos ser professores", dando com isso um importante contributo para a queda do governo socialista.

Excesso da burocracia começou com Ana Benavente e António Gueterres









Tuesday, October 04, 2011

Os 10 pecados mortais do eduquês

retirado de Profblog de Ramiro Marques


O eduquês é uma ideologia pedagógica parida no ventre da esquerda pós-moderna com adeptos à esquerda e à direita. Expressa-se numa retórica que faz da mudança permanente a missão da escola.

Alimenta-se da suspeição a tudo o que possa ser conotado com a escola tradicional, vista pelos ideólogos do eduquês como repressiva, castradora e elitista. Afirma-se em oposição a ela. Deixa-se contaminar pelas ecotretas e pela "religião do clima". Manifesta uma crença quase religiosa no poder que as tecnologias têm de transformar o ensino. Agarra-se a tudo o que é novidade pedagógica e quanto mais exótica e improvável a novidade maior a militância com que é acriticamente defendida.


O eduquês é um forma de acriticismo pedagógico. Esgota-se na forma, anula o conteúdo. Desvia o professor das funções letivas, esmaga-o com tarefas que estão a montante e a jusante do processo de instrução: reuniões para preparar planos, reuniões para fazer planos, reuniões para avaliar os resultados dos planos e relatórios para dar conta da avaliação dos planos.


O eduquês é uma forma de burocracia pedagógica que alimenta e se alimenta da complexidade. Gosta de siglas, usa uma linguagem hermética, incorpora estrangeirismos e exprime-se num discurso redondo.

Em vez de valorizar o processo de transmissão do conhecimento científico, centra-se na manipulação política dele. Alimenta-se de uma cultura de ressentimento contra os padrões culturais e as tradições do Ocidente. Valoriza o exótico, o que nos é distante e o que não é nosso.


Faz da escola um instrumento de engenharia social em nome de uma igualdade fabricada que esmaga o mérito e desconfia da excelência.


Padece de 10 pecados mortais:



1. Concepção instrumental da educação: "aprender a aprender", "aptidão para o pensamento crítico", "aptidões metacognitivas", "aprendizagem permanente".


2. Desenvolvimentalismo romântico: "escola centrada na criança", "diferenças individuais dos alunos", "ensinar competências e não os conteúdos".


3. Pedagogia naturalista: "construtivismo", "aprendizagem por descoberta", "aprendizagem holística", "método de projecto", "currículo em espiral", "aprendizagem temática".


4. Antipatia pelo ensino de conteúdos: "os factos não contam tanto como a compreensão", "os factos ficam desactualizados", "menos é mais", "aprendizagem para a compreensão".


5. A desvalorização dos padrões culturais tidos como relativos e subjectivos, portanto irrelevantes.


6. Crítica do uso da memória e recusa das actividades de repetição, tidas como não significativas, portanto inúteis.


7. Defesa da ideia falsa de que as crianças só compreendem o que lhes está próximo e o que é concreto e manipulável.


8. Primazia à componente lúdica e recreativa por oposição à valorização do esforço na aprendizagem.


9. Redução da aprendizagem a um processo construtivista que diminui a função de transmissão dos conteúdos.


10. Visão anti-intelectualista da cultura e da educação

Monday, October 25, 2010

Da origem do desastre

A tragédia que se abateu sobre o poder democrático das nossas escolas vai ter nos tempos mais próximos um novo pico. O ISCTE produziu grande parte da engenharia social e financeira que cilindrou a democracia nas escolas. Quase todos os políticos escolhidos para o exercício, têm a mesma proveniência e são especializados em sociologia, trabalho e empresas. Lançaram, de forma certificada, o caos no sistema. Agora que estão quase vencidos pela realidade e sem qualquer veleidade de emancipação, caiu-lhes a máscara. Em desespero, arquitectam um ataque para fustigar os seus inimigos de estimação: os professores. Acreditam que o momento é, de novo, propício.

Gente que não pôs os pés numa escola básica ou secundária tomou as rédeas do sistema e anarquizou-o numa lógica que consideraram anti-elitista. A sério: houve por ali qualquer coisa como isto. Viveram obcecados com os "privilégios" dos professores. Tudo o que não fosse 45 horas semanais de aulas era elitismo.

Agora querem cavalgar a onda do desvario financeiro e descarregar ódio. Resta-lhes pouco tempo de poder. Um dos mentores ainda no activo "dirige" a Direcção-Geral da Inovação e Desenvolvimento Curricular (DGIDC). Ouvir este áudio ou ler esta entrevista ajuda a perceber.

A entrevista versa o programa novas oportunidades, onde o responsável afirma não saber dos custos nem sequer dos da máquina de propaganda montada à sua volta. Manter-se-á sem cortes. Há duas frases que são emblemáticas. A comparação com o ensino regular é de bradar e dá uma boa ideia da sustentação do desastre.

"Sabemos que alunos de determinadas vias de ensino aprendem a fazer exames e a tirar notas, mas não sabemos se sabem alguma coisa quando acabam. Isso não acontece com os nosso alunos porque são obrigados a demonstrar competências".

"A democratização de acesso implica verdadeira abertura social e de mobilidade, o que cria pressão junto de determinadas elites que não deixaram de reagir. Há uma democratização mal tolerada do acesso aos diplomas escolares".

Saturday, October 16, 2010

Governo aprova eliminação da àrea de Projecto nos 2º e 3º CEB

Finalmente, o Governo aprova uma medida na área de educação que eu aplaudo. Nunca entendi a utilidade desta disciplina em alunos mais novos, e o tempo que se perde. Lembro- me do tempo em que os alunos do ensino básico faziam trabalhos de maior qualidade, com menos tempo na chamada " Área Escola".
Agora, só falta fazer o mesmo com o Estudo Acompanhado (deixando de ser obrigatório) e com a Formação Cívica (supostamente a Educação deve vir de casa ,das famílias e a escola deve dar a Formação).
Estas disciplinas foram introduzidas pela secretária de estado- Ana Benavente, no 1º governo de António Gueterres. Esta senhora, acérrima defensora das ideias de Jean Jacques Rousseau introduziu o chamado " Eduquês" na Escola Pública e foi autora de um Regulamento de processos Disciplinares ( em 1998 ) que minou a autoridade dos professores e provocou um aumento de indisciplina na Escola Pública.

Monday, May 17, 2010

O "rigor" e a "exigência " de uma prova de aferição






Questões retiradas da prova de aferição de Matemática (2º Ciclo) de 2010.
[.pdf aqui]
Tanto dinheiro desperdiçado para una nulidade e para justificar o sucesso estatístico.
Com este grau de exigência os nossos alunos vão longe.

Thursday, April 29, 2010

Paulo Guinote no Plano Inclinado ( 2 de 5 )



Debatidos: eduquês, " bulling ", estatuto do aluno, dignidade profissional, disciplina, sucesso estatístico

A Doutrina Educativa Chuchalista

"Não tens de aprender. E nem sequer tens de ir às aulas", eis a herança do PS no ensino"

I. Já não há palavras para descrever a podridão politicamente correcta que é o Ministério da Educação, e, por arrastamento, a escola pública. Os professores já estavam proibidos de chumbar alunos mesmo quando estes ignoram as matérias básicas. Agora, ficámos a saber que os professores deixam de ter a possibilidade de chumbar um aluno por faltas. É uma alegria, a escola pública. "Não tens de aprender, e nem sequer tens de ir às aulas", eis a herança que o facilitismo do PS deixa no ensino.
II. O socratismo destruiu a figura do professor. Fica a impressão de que o professor passou a ser um mero babysitter dos monstrinhos que os pais deixam na escola. O professor não tem a autoridade pedagógica para instruir, e também não tem autoridade moral para educar. O professor não pode instruir os alunos, porque o facilitismo impede rigor e exigência. Todos têm de passar, porque o Ministério quer boas estatísticas. Resultado: milhares de pessoas chegam à faculdade sem saber escrever em condições. Depois, o professor não tem autoridade moral sobre os alunos. A falta de educação campeia pelas escolas. O fim do chumbo por faltas é só mais um prego no caixão da autoridade moral do professor. Nem por acaso, o i, há dias, trazia este desabafo de uma professora: "A partir do momento que, por exemplo, uma suspensão de um aluno não conta como falta para acumular e para reprovar de ano, que efeito é que uma sanção destas pode ter?".

Henrique Raposo, Expresso

Wednesday, April 21, 2010

Ser professor de Matemática no reino do eduquês. Um testemunho

É um testemunho vibrante sobre o que é ser professor do 3º CEB e do ensino secundário no reino eduquês. Tudo o que João Torgal relata é realidade cristalina. Leiam,por favor, o texto que João Torgal publicou no blogue A Mesa do café e digam se não se identificam com quase tudo o que ele diz.
Andámos quase trinta anos a dar pancada no ensino directivo, nos métodos expositivos, nos exames e no uso da memória no processo de aprendizagem. A memória, palavra proibida, deu lugar à aprendizagem significativa. O esforço, palavra proibida, foi substituído por actividades lúdicas. O aluno deu lugar ao aprendente. Os conteúdos passaram a chamar-se competências. E o resultado está à vista.
A retórica do eduquês tomou conta da Inspecção Geral do Ensino e da DGIDC e todos os órgãos e intervenientes de controlo pedagógico estão contaminados por ela. Resultado: há palavras proibidas no léxico da Pedagogia. E as escolas e os professores têm de fingir que acreditam na retórica do eduquês, plasmando-a nos relatórios de prestação de contas. A consequência foi a generalização da mentira. Do faz-de-conta. Quanto mais uma escola interioriza a retórica do eduquês, maior é a probabilidade de obter menções de Muito Bom nas avaliações externas. E as menções de Muito Bom na avaliação externa dão quotas mais generosas de Excelente e de Muito Bom para os funcionários e os professores. E a mentira continua contaminando todos domínios da escola.

Tuesday, April 13, 2010

Código Bonzinho

Na justiça, entrou em vigor um novo "código de execução de penas". Um código inspirado em duas premissas fundamentais, ambas inerentes à natureza humana tal como a estupidez. A primeira, a de que o homem é bonzinho e inofensivo como um nenúfar. Só depois, por causa da "sociedade" que, por acaso, é feita de homens, é que vira mauzinho. A segunda, é que o legislador português é tendencialmente bronco.
Este código de execução de penas por directores de serviços prisionais atenta contra o princípio da igualdade constante da Constituição da República. Trata o criminoso como um ser humano e a vítima como um cão deficiente mental.
A teoria do " bom selvagem" foi desenvolvida pelo filósofo Jean Jaques Rousseau e é muito utilizada pelos pedagogos do " Eduquês ".
Ver biografia de Rousseau
Ver critica do livro " Eduquês em discurso directo" do prof Nuno Crato

Wednesday, March 31, 2010

Prós e Contras - Na Escola mandam todos

Boas Cabeças
Portas, Crato, Helena Matos e o Director Residente
Disseram tudo:
É preciso distinguir faltas justificadas de injustificadas
As provas de recuperação são uma forma de as escolas iludirem os jovens
Quando há um facto grave a escola não o deve deixar passar em claro
Hoje em dia são exigidas à escola muitas competências que não são delas.
O primeiro dever das escolas é ensinar.
Há algumas bandeiras que estão por trás disto que urge discutir: a inclusão exige mais rigor e mais disciplina àqueles que têm mais dificuldades
Os pais não têm uma hora para irem à escola? Estão na fila do desemprego!As pessoas que defendem este ensino, dito inclusivo, põem os filhos no Privado (Boa Crato. Que lição à Viseu e à Mª João Alves)

A massificação não é sinónimo de degradação
João Munoz (do Privado)

Escola com autonomia; Escola com liderança; Possibilidade de escolha
Américo Baptista - Psicólogo clínico
Quem não vai à escola tem de ser responsabilizado
Se há algo de errado no comportamento dos alunos, eles têm de ser sancionados.

O cúmulo do eduquês:
Francisco Vitorino - Director
A autoridade não se impõe. Ganha-se.

O cúmulo da mama:
Maria José Viseu - CNIP
Os pais têm como preocupação levar dinheiro para casa para comerem. Não se pode retirar-lhes o subsídio.

Eduardo, representante dos alunos:
Este estatuto é bom porque defende o "fenómeno" da inclusão

Cúmulo da ignorância:
Maria José Viseu - CNIP
Felizmente acabaram as provas de recuperação

Monday, September 07, 2009

Pais criticam Estatuto do Aluno do Governo de Pinto de Sousa

O ensino nas escolas está demasiado fácil e os últimos quatro anos acentuaram o problema. Para a maioria dos 45 pais ouvidos pelo i, os problemas pioraram com a crispação entre professores e Governo, que criou instabilidade nas escolas. E dão exemplos "O estatuto do aluno é um desastre e uma ofensa aos alunos cumpridores. Valores e atitudes como o trabalho, o mérito, a assiduidade, o comportamento, a aprendizagem, o conhecimento, foram postos em causa e de repente considerados antiquados e conservadores", diz Manuel Marques, economista nas Caldas da Rainha, pai de um aluno matriculado no 8º ano. "O estatuto do aluno privilegia o facilitismo e desresponsabiliza os alunos", acrescenta Maria José Viseu, presidente da Confederação Nacional Independente de Pais e Encarregados de Educação (CNIPE).

Comentário

É uma excelente peça jornalista do diário iOnline. Finalmente, surge uma confederação que não está refém dos partidos políticos e que revela uma postura crítica e autónoma na análise e avaliação das políticas educativas. Não admira que a ministra da educação não queira receber a Cnipe. Todo o apoio político e financeiro do ME e do Governo vai para a Confap e para o seu presidente, o irresponsável Albino Almeida , que mais uma vez mostrou estar ao serviço da estratégia política do PS, fazendo-se mostrar na Convenção do PS, realizada ontem no Coliseu.

Pais avaliam escolas: ensino está demasiado fácil

Monday, June 22, 2009

Exames: De mal a pior

Trancrevo o parecer da Sociedade Portuguesa de Matemática sobre o exame realizado hoje de Matemática do 9º ano de escolaridade:

Parecer da Sociedade Portuguesa de Matemática sobre o Exame Nacional do 3º ciclo do Ensino Básico (Código 23)

1. Após análise ao Exame do 9º ano hoje efectuado, a SPM verifica que o nível geral da prova é de novo demasiado elementar. O exame destina-se a alunos no final da escolaridade obrigatória. Após nove anos de ensino de matemática exigir-se-ia um maior grau de dificuldade.
2. Logo na pergunta 1, pede-se a média aritmética de três números: 382, 523 e 508. A facilitar ainda os cálculos, que são triviais na posse da calculadora permitida nesta prova, fornece-se a soma (1413) — é uma questão do 6.º ano de escolaridade. Na pergunta 5, pede-se ao aluno que leia valores num gráfico simples. Após leitura desses dados pede-se que calcule o valor de 100 euros em libras, sendo sabido quantas libras vale um euro. A pergunta 6 está ao nível do 3.º ano de escolaridade. Na pergunta 7, pede-se para identificar um sistema de duas equações a duas incógnitas que nem se pede para resolver.
3. Em quase todas as perguntas, os conceitos são testados com exemplos demasiado elementares. Os cálculos são todos muito simples, a equação do segundo grau é trivial, para mais sendo fornecida a fórmula resolvente, e os exemplos de geometria são demasiado directos.
4. Não há problema algum em introduzir num exame perguntas de anos anteriores ou de grau de dificuldade baixo. O que é prejudicial é que um número exagerado de perguntas corresponda a tópicos que deveriam estar sabidos anos antes e que todas ou quase todas as perguntas tenham um grau de dificuldade muito baixo.
5. Grande parte da matéria essencial do 9.º ano de escolaridade não foi coberta por esta prova. É o caso da resolução de inequações, sistemas e equações literais, multiplicação de polinómios, intervalos de números reais, proporcionalidade inversa e igualdade ou semelhança de triângulos.
6. Tanto professores como alunos que se empenharam durante estes anos lectivos sentem-se desacompanhados e desapoiados com esta prova. O que exames deste tipo transmitem é a ideia de que não vale a pena estudar mais do que as partes triviais das matérias. Tanto os jovens que prosseguem os seus estudos no Secundário como os que terminam aqui a sua escolaridade não podem concluir estar bem preparados pelo facto de conseguirem um resultado satisfatório neste exame.
7. Pode pensar-se que provas elementares têm a vantagem de ajudar a perceber que as questões matemáticas não são intransponíveis. Mas estabelecer patamares demasiado baixos, em vez de incentivar a mais estudo e mais conhecimento, acaba por prejudicar todos — tanto os melhores, que se sentem desincentivados, como os menos treinados, que sentem menos necessidade de trabalhar para aumentar o seu domínio das matérias. Em suma, uma prova demasiado elementar como esta não serve o progresso do ensino. Pelo contrário, cria precedentes difíceis de contrariar
.8. A matemática é uma das matérias mais importantes para a formação dos nossos técnicos e dos cidadãos do futuro. Estamos no século XXI. É urgente formar técnicos competentes, capazes de competir num mercado internacionalizado e numa economia em que o conhecimento tem uma importância cada vez maior.
O Gabinete do Ensino Básico e Secundário da Sociedade Portuguesa de Matemática

Tuesday, June 09, 2009

As duas vestais do sagrado altar do eduquês


Novo post sobre educação de Rui Baptista (na foto, tomada de posse de Ana Maria Bettencourt do lugar de presidente do Conselho Nacional de Educação):

“Há alunos do 1.º ciclo do ensino básico que saem sem saber fazer contas” (entrevista, em 23/Outubro/1996, à RTP do então Primeiro Ministro António Guterres).
As duas vestais chamadas Ana são ambas do Partido Socialista. Uma, Ana Benavente, em decadência política depois de ter sido secretária de Estado da Educação (1995-2001) dos governos de António Guterres quando este declarou publicamente a sua paixão pela educação sem correspondência pela sua então compagne de route que a transformou em fogo fátuo. Outra, Ana Maria Bettencourt, recentemente eleita presidente do Conselho Nacional de Educação (CNE).Embora dando o desconto de se tratar de comadres desavindas, a propósito da actuação de Ana Benavente no referido cargo governamental cito a análise que da sua acção governativa fez o actual secretário de Estado da Educação Valter Lemos: “A actuação de Ana Benavente nos governos de Guterres ‘resultou nos piores resultados escolares da Europa’ em matéria de sucesso escolar e, na base deste falhanço, esteve uma cedência permanente aos interesses da Fenprof” (Público, 29/Fevereiro/2008).Irmanadas não apenas pelo nome próprio, mas também pelas suas opiniões pedagógicas, corria o ano de 2008, na revista “Opinião Socialista”, escrevia Ana Benavente um artigo em que “salientava que a escola não funciona para dar programas mas sim para assegurar as aprendizagens”. Defende, agora, Ana Maria Bettencourt um “ensino não centrado no programa, mas no aluno, porque o programa é pouco útil se os alunos não aprenderem” (Público, 05/Junho/2009).
Pareceres antigos deste órgão colegial denunciavam já uma vontade de dar às Escolas Superiores de Educação um estatuto que se não coaduna, de forma alguma, com a génese que presidiu à sua criação, apenas, para a formação de educadores de infância e professores do 1.º ciclo do ensino básico (antigo ensino primário). Assim, em título à largura de toda a página, foi publicada a seguinte notícia: “Parecer provisório do CNE defende que as Escolas Superiores de Educação formem professores para o secundário” (Público, 30/Janeiro/97). Este parecer atentava contra uma longa e exigente formação científica dos professores do ensino secundário e punha em risco a sua tradicional formação universitária.Avant la lettre, em artigo de opinião, perante uma notícia saída no Público (26/Maio/96), alertava eu para a intenção do governo em “as Escolas Superiores de Educação passarem a formar professores até ao 9º ano de escolaridade”, apesar de “recém-licenciados pela Faculdade de Letras de Coimbra nem sequer terem tido acesso ao respectivo estágio pedagógico, desencadeando uma crise que podia pôr em causa a sobrevivência da própria escola” (Correio da Manhã, 16/Junho/96).Nessa mesma altura, perante o clima de desastre que se aprestava a abater sobre a Academia portuguesa, mostrando grande preocupação com o rumo que as coisas estavam a tomar, o Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas chamou a si a defesa de direitos e deveres seculares de natureza cultural e científica dos claustros universitários. Para o efeito, elaborou um dossiê, intitulado Repensar o Ensino Superior, em que defendia “a consolidação de um sistema dual, politécnico e universitário” e a necessidade em proceder “rapidamente à análise das funções das Escolas Superiores de Educação, considerando-se a oportunidade da sua reconversão, por exemplo, em centros de formação contínua dos docentes do ensino superior [o que retiraria uma parcela substancial a um rendoso mercado dominado pelos sindicatos] ou em escolas com outra vocação”. Esta última sugestão de reconversão logo foi abusivamente aproveitada por esses estabelecimentos de ensino para se transformaram em “universidadezinhas”, com um amplo e variado leque de cursos a ministrar sem qualquer identificação com a finalidade que presidiu às respectivas criações. Por seu turno, como que espicaçada no seu brio de docente da Escola Superior de Educação de Setúbal, Ana Maria Bettencourt logo replica, sem medir as palavras, que, “em matéria de formação dos professores, o pensamento dos reitores é pré-histórico” (sic).No última sexta , a própria Ana Maria Bettencourt reconhece, em entrevista ao Público (05/Junho/2009), embora “sem generalizar” (como teve a diplomacia de referir), mas certamente baseada na sua experiência pessoal, que “as escolas superiores não preparam os professores para o mundo complexo que é a educação”. Investida, agora, como responsável máxima por “um órgão colegial” de consulta do Ministério da Educação, resta saber quais as modernices da sua lavra destinadas a fazer sair da mediocridade o actual sistema educativo nacional. É tudo uma questão de esperar para ver...

Tuesday, June 02, 2009

ME ameaça estender os planos de recuperação aos 10º,11º e 12º anos



O ME não cessa de divulgar estatísticas que mostram forte diminuição da taxa de reprovação. Um em cada quatro alunos do básico fez um plano de recuperação, em 2007/08, tendo 74% conseguido transitar de ano. Nesse ano, a taxa de transição aumentou em 9% por comparação com o ano anterior. Para quem não sabe, o plano de recuperação é um conjunto de actividades feitas na escola para apoiar os alunos que, até ao Carnaval, revelem dificuldades escolares que coloquem em risco a transição de ano. Em 2007/08, foram feitos 187 638 planos de recuperação. Os professores sabem que, em muitos casos, esses planos têm como único objectivo forçar os docentes a passarem os alunos. Há professores que elaboram mais de dez planos de recuperação em cada turma. Um professor do 3º CEB, com 5 turmas, pode ter de elaborar mais de 50 planos de recuperação. E o que vem depois também não é coisa fácil. São precisos relatórios e actas a descrever o que se fez e a justificar os fracassos. Como os professores tendem a ser cada vez mais responsabilizados pelo mau desempenho dos alunos, há cada vez mais docentes que acabam por dar, no mínimo, o nível 3 a todos, mesmo aos que revelam um domínio dos conteúdos próximo do zero absoluto. E que dizer do palavreado usado pelos professores nos planos de recuperação e nos relatórios? Todo aquele arrazoado tem de respeitar a novilíngua, o eduquês, o sociologuês e o pedagogicamente correcto. Nada daqueles conceitos corresponde à realidade mas que interessa isso? O que interessa é que os inspectores gostam de ler as pérolas do eduquês. Sem pérolas, o texto não passa e o professor corre o risco de ser considerado incompetente. Estender os planos de recuperação aos 10º, 11ºe 12º anos é alargar o pesadelo burocrático e a mentira do eduquês a todo o sistema escolar. Valia mais impor por decreto o sucesso escolar universal e completo e entregar aos alunos dois tipos de certificados: um certificado de frequência e um certificado de aproveitamento com avaliação externa. Pelo menos assim não se mentia. E os alunos que se esforçam seriam recompensados com um certificado que distinguiria o mérito. Mas isso seria pedir o impossível aos actuais inquilinos da 5 de Outubro.

Thursday, May 28, 2009

A verdade sobre as politicas educativas do governo- parte 3


Sobre o Novo Estatuto do Aluno- uma pérola do " Eduquês "

Tuesday, May 12, 2009

E depois dizem que todas as faltas contam

Artº 26º do Estatuto do Aluno

4 - A aplicação da medida correctiva da ordem de saída da sala de aula e demais locais onde se desenvolva o trabalho escolar, é da exclusiva competência do professor respectivo e implica a permanência do aluno na escola, competindo aquele, determinar, o período de tempo durante o qual o aluno deve permanecer fora da sala de aula, se a aplicação de tal medida correctiva acarreta ou não a marcação de falta ao aluno e quais as actividades, se for caso disso, que o aluno deve desenvolver no decurso desse período de tempo.

Saturday, April 04, 2009

Artigos polémicos do novo Estatuto do Aluno- objectivo: melhorar as estatísticas

Estatuto do Aluno

Artº 22º…
.4 - Com a aprovação do aluno na prova prevista no nº 2 ou naquela a que se refere a alínea a) do nº 3, o mesmo retoma o seu percurso escolar normal, sem prejuízo do que vier a ser decidido pela escola, em termos estritamente administrativos, relativamente ao número de faltas consideradas injustificadas.

Artº 26º…
.4 - A aplicação da medida correctiva da ordem de saída da sala de aula e demais locais onde se desenvolva o trabalho escolar, é da exclusiva competência do professor respectivo e implica a permanência do aluno na escola, competindo aquele, determinar, o período de tempo durante o qual o aluno deve permanecer fora da sala de aula, se a aplicação de tal medida correctiva acarreta ou não a marcação de falta ao aluno e quais as actividades, se for caso disso, que o aluno deve desenvolver no decurso desse período de tempo.

Ofício Circular nº 17/08, de 27/11, da DREN
nº 4
b) Caso o aluno obtenha aprovação na prova (nº 4, do artigo 22º do estatuto do Aluno), retoma o seu percurso escolar normal, sem prejuízo da competência da escola para determinar os efeitos administrativos das faltas injustificadas dadas pelos alunos antes da realização da prova de recuperação, nomeadamente, no que diz respeito ao facto de essas faltas entrarem ou não no cômputo de posteriores faltas que o aluno venha a dar, tal como explicitado na Informação nº 9/CRS/SEE/2008, de2008.02.19, do Gabinete de Sua Excelência o Senhor Secretário de Estado da Educação;

Enfim , mais uma pérola do Eduquês, para melhorar as estatísticas.