( recebido por correio electrónico)
Como o meu filho ia ter um teste de História, estive a estudar com ele e a fazer-lhe perguntas.A matéria era relativa à Idade Média. As classes sociais, o modo de vida de cada uma delas, esse tipo de coisas. Estava eu a estudar os privilégios da nobreza e dei comigo a pensar que, em Portugal, ainda não saímos bem da Idade Média. Nessa época a mobilidade social era praticamente nula. A nobreza vivia fechada sobre si própria usufruindo dos seus próprios privilégios. Relacionavam-se entre si, casavam-se entre si, frequentavam os mesmos castelos, participavam nas mesmas festas e banquetes, e olhavam para o povo do alto dos seus privilégios sociais e económicos.
Ora, se atentarmos no que se passa em Portugal, há décadas dominado pelo PS e pelo PSD, também aqui existe, cada vez mais, uma feudalização da sociedade, assim como que uma organização social cada vez mais endogâmica.Repare só no casamento da filha de Dias Loureiro, amigo íntimo de Jorge Coelho, com o filho de Ferro Rodrigues, amigo íntimo de Paulo Pedroso, irmão do advogado que realizou a estúpida e milionária investigação para o Ministério de Educação e amigo de Edite Estrela que é prima direita de António José Morais, o professor de José Sócrates na Independente, cuja biografia foi apresentada por Dias Loureiro, e que foi assessor de Armando Vara, licenciado pela Independente, administrador da Caixa Geral de Depósitos e do BCP, que é amigo íntimo de José Sócrates, líder do partido ao qual está ligada a magistrada Cândida Almeida, directora do Departamento Central de Investigação e Acção Penal, que está a "investigar" o caso Freeport.Talvez isto ajude a explicar muito do que se passa com a Justiça, com a Economia e com a Educação.Sobre a Educação vale a pena pensar um bocadinho.Haverá gente em Portugal a beneficiar com a degradação da escola pública?Outra vez: Haverá gente em Portugal a beneficiar com a degradação da escola pública?Há. Claro que há!E quer entender porquê? E quem são? Quer mesmo?É fácil... Experimente a sentar-se um pouco com o seu filho a estudar História.
José Ricardo Costa, professor
Recebido por e-mail, sem indicação da publicação de onde foi retirado
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Saturday, June 06, 2009
Thursday, June 12, 2008
Ler o presente sustentado na História
Não deixa de ser curioso, até mesmo irónico e profundamente justo, comparar o governo trabalhista britânico que no início da década de 70 do século passado foi derrubado pelos sindicatos mineiros, com o governo do partido socialista que, nos dias que correm, se arrisca a ser derrubado pelos pequenos empresários (das pescas, dos transportes e o que mais se verá até 2009). Pinto de Sousa é um neoliberal que se apoderou do PS e vem impondo políticas económicas e sociais que nunca a direita conseguiria aplicar em Portugal. Irá morrer às mãos dos destinatários dessas políticas e do seu modelo de capitalismo popular que fracassará aqui como fracassou noutros países em que foi tentado.
Baptista Bastos (que bem poderia perguntar a Sócrates e Cavaco onde é que andavam no 25 de Abril), escreve a este propósito um excelente crónica no DN, com o título SOCIEDADE PERTURBADA, da qual deixo um pequeno excerto:
«Pescadores parados, milhares de camiões estacionados, duzentas mil pessoas em desfile protestatário, a Igreja a dar inequívocos sinais de incomodidade, através de declarações veementes de D. Manuel Clemente e de D. Manuel Martins, pronunciamentos políticos de diversos sectores - eis a representação de uma sociedade perturbada.
Sócrates não conseguiu dar resposta aos problemas mais rudimentares. Um homem novo, incapaz de proceder à evicção do que é antigo, cediço, bafiento, praticante da cartilha de Milton Friedman, experimentada no Chile de Pinochet e um pouco por todo o mundo - com sangrentos rastos de miséria, morte e desespero. Não tenhamos receio das analogias. A História é uma comparação permanente. E aqueles que a não conhecem estão condenados a repeti-la
Baptista Bastos (que bem poderia perguntar a Sócrates e Cavaco onde é que andavam no 25 de Abril), escreve a este propósito um excelente crónica no DN, com o título SOCIEDADE PERTURBADA, da qual deixo um pequeno excerto:
«Pescadores parados, milhares de camiões estacionados, duzentas mil pessoas em desfile protestatário, a Igreja a dar inequívocos sinais de incomodidade, através de declarações veementes de D. Manuel Clemente e de D. Manuel Martins, pronunciamentos políticos de diversos sectores - eis a representação de uma sociedade perturbada.
Sócrates não conseguiu dar resposta aos problemas mais rudimentares. Um homem novo, incapaz de proceder à evicção do que é antigo, cediço, bafiento, praticante da cartilha de Milton Friedman, experimentada no Chile de Pinochet e um pouco por todo o mundo - com sangrentos rastos de miséria, morte e desespero. Não tenhamos receio das analogias. A História é uma comparação permanente. E aqueles que a não conhecem estão condenados a repeti-la
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