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Wednesday, September 28, 2011

Fundação para as Comunicações Móveis vai ser extinta

Mais uma fundação extinta que não faz falta nenhuma. O Magalhães foi um ex-libris da política educativa de José Pinto de Sousa. O programa e.escolas foi gerido pela Fundação para as Comunicações Móveis. Deixou uma herança, em forma de dívida, de 73 milhões de euros que serão pagos com mais impostos e despedimento de docentes contratados. Os Magalhães? Boa parte deles já estão no lixo ou não funcionam. Serviram o propósito de comprar votos dos pais das crianças do 1º CEB.

Perante os deputados, o secretário de Estado [das Obras Públicas] anunciou que o Governo vai propor aos operadores de telecomunicações o fim da fundação criada em 2008 que ficou responsável pela gestão dos programas de atribuição de computadores portáteis e.escola e e.escolinha. Sérgio Monteiro disse que a dívida da FCM deverá rondar os 65 milhões de euros, tendo depois afirmado, em declarações aos jornalistas, que este valor poderá ascendeu a 73 milhões de euros. Fonte: Dinheiro Vivo

Friday, January 28, 2011

Plano Tecnológico da Educação

Centenas de alunos com cobertores para protestar contra frio em escola deVila Real

Há dinheiro para computadores Magalhães e para propaganda e não há dinheiro para uma simples caldeira.

A instrumentalização dos alunos




A ministra da educação disse que “instrumentalizar crianças para obter vantagens ou com qualquer outro objectivo de propaganda é infringir um princípio ético“. Isto não é propaganda, pois não? Não se vê por ali nenhum pai ou mãe das crianças, pois não? Então não é instrumentalização. O Estado e o Governo têm um direito natural e absoluto sobre as crianças. Os pais, não.
Na foto, o primeiro ministro Pinto de Sousa, Isabel Alçada e o controverso computador Magalhães

Friday, September 10, 2010

Como é gasto o dinheiro do orçamento do Ministério da Educação

Há pouco tempo surgiu na comunicação social que se estava a gastar mais 30 % no Ministério da Educação devido ao aumento das horas extraordinárias pagas aos professores; não tenho conhecimento de que os professores recebam mais em horas extraordinárias, curiosamente existem menos professores devido à baixa da natalidade e encerramento de muitas escolas do 1º ciclo. Onde se está a gastar o dinheiro?
O "Monstro" foi engordado recentemente desta forma:
25 milhões na vigilância das escolas CCTV e 50 milhões nos MG2. Somados são 75 milhões de euros que aumentam "O Monstro".
Aos 75 milhões de despesa inútil - vigilância electrónica à entrada das escolas e distribuição dos portáteis Magalhães2 pelas crianças de 5, 6 e 7 anos de idade - há que acrescentar os 59,9 milhões de euros anunciados hoje para reforço do programa de modernização das escolas secundárias a cargo da Parque Escolar.
Começa a ser assustador ver a forma como o primeiro-ministro lança dívida pública para cima dos problemas.
Concluíndo o dinheiro está a ser gasto em Videovigilância, Magalhães, Quadros Interactivos, na empresa Parque Escolar e em propaganda ( o primeiro ministro está a fazer inaugurações diariamente).Para o primeiro ministro é mais importante ter um Magalhães do que aprender a ler, escrever e contar.

Friday, August 20, 2010

Mais computadores para crianças do 1º ciclo

A ministra da educação divulgou, ontem, qiunta feira, à saída da reunião do Conselho de Ministros que está tudo preparado para distribuir mais 250 mil computadores pelas crianças do 1º e do 2º anos de escolaridade. A distribuição será feita no início do ano lectivo.
É mais um crime pedagógico e um disparate financeiro. Oferecer computadores a crianças que ainda não sabem ler nem escrever é agravar ou dificultar as condições propícias à aprendizagem da leitura e da escrita. As crianças já passam horas a mais em frente dos televisores, consolas e telemóveis. Não precisam que o Estado desperdice dinheiro com o objectivo de que elas passem ainda mais tempo em frente dos ecrãs.
A distribuição de mais estes 250 mil computadores por crianças de 5, 6 e 7 anos de idade é um contributo para o aumento da obesidade, sedentarismo infantil e diabetes. Pobres crianças estas a quem o Estado tudo faz para afastar do contacto com a natureza, enfiando-as em mega-centros escolares high tech onde têm por companhia computadores, por distracção jogos de vídeo quase sempre pouco inteligentes e por enquadramento realidades virtuais quase sempre embrutecedoras.

Friday, December 11, 2009

Comissão Europeia com dúvidas sobre ajuste directo dos Magalhâes à Sá Couto

A Comissão Europeia mantém dúvidas sobre a legalidade do ajuste directo da compra dos Magalhães à empresa Sá Couto. Ontem, no programa da SIC, Quadratura do Círculo, o ex-ministro Mário Lino deu explicações sobre o caso do financiamento do e-escolas e do e-escolinhas e do papel que a Fundação para as Telecomunicações Móveis teve no processo. O ex-ministro não conseguiu justificar o desvio de 180 milhões de euros da Acção Social Escolar para pagar parte dos custos com o processo de compra dos computadores. As explicações de Mário Lino não convenceram Lobo Xavier nem Pacheco Pereira.

A Comissão Europeia também não está convencida e pondera a possibilidade de levar o assunto para contencioso.

Ontem, o conselho de ministros aprovou o lançamento de um concurso público internacional para a compra de 250 mil portáteis. Apesar dos avisos de pedagogos, que insistem que é um erro pedagógico oferecer computadores a crianças que ainda não sabem ler, o Governo insiste na estratégia.

Entretanto o PSD já formalizou a constituição da comissão parlamentar de inquérito à administração da Fundação para as Comunicações Móveis.

A ministra da educação veio, ontem, em socorro da sua antecessora , afirmando que todo o processo de financiamento decorreu de forma legal e que o Ministério da Educação não teve interferência no processo.

Não teve? Quem liderou o processo de distribuição pelas escolas? Não foram as DREs? Quem andou, ao lado do primeiro-ministro, com as televisões atrás, a oferecer portáteis às crianças? Não foi a ministra da educação? E a Acção Social Escolar, de onde saiu parte do dinheiro para pagar os computadores, não está sob a alçada do Ministério da Educação?

Friday, December 04, 2009

Alunos apanhados a ver pornografia nos Magalhães


Alunos de uma escola básica da Maia foram apanhados a ver pornografia nos computadores Magalhães. Alertada por professores, a Câmara avançou com uma formação para prevenir os pais dos riscos informáticos.

A Autarquia critica a falta de segurança dos portáteis. A situação deixou alarmada a comunidade escolar e está a preocupar os encarregados de educação. Muitos deles só agora tomam consciência de que é obrigatório ter mais atenção às novas ferramentas de ensino usadas pelas crianças.

As debilidades de segurança da máquina disponibilizada às crianças do Ensino Básico ficaram bem patentes quando docentes e auxiliares de Educação depararam, no próprio recinto escolar, com alunos a navegar por páginas de conteúdo pornográfico. O acesso a esse tipo de material está vedado através do controlo parental, mas, conforme explicaram técnicos municipais, basta uma simples pesquisa no google para conseguir a palavra-chave que desbloqueia o computador.
Fonte: Apanhados na escola a ver pornografia nos Magalhães
Foram distribuídos 500 mil Magalhães com o dinheiro do Povo com o objectivo de aliciarem os votos dos pais das criancinhas e queriam que, por magia, as máquinas ensinassem as crianças a ler, a escrever e a fazer contas. Uma ideia do licenciado mais mediático da Universidade Independente que não está a resultar.

Monday, August 03, 2009

Zapatero vai distribuir " Magallanes " aos alunos de 10 e 11 anos de idade

Zapatero é mais sensato do que Pinto de Sousa . Gostou da manobra propagandística do Magalhães mas não a quis copiar na totalidade. Pinto de Sousa quis oferecer Magalhães a todos os alunos dos 6 aos 10 anos de idade. Zapatero acha que é um exagero e fica-se pelas crianças de 10 e 11 anos de idade. Ao contrário do sr. Sousa que entregou o projecto a uma empresa sem concurso público, Zapatero convidou várias empresas que fabricam computadores para apresentarem cadernos de encargos. A Toshiba é uma delas. O projecto propagandístico de Zapatero surge numa altura em que, pela primeira vez, as sondagens colocam o PSOE abaixo do PP nas intenções de voto dos nuestros hermanos. A imprensa espanhola refere que o projecto é para concretizar a partir de Setembro.

Ver hiperligação do i online

Monday, July 06, 2009

Opiniões - Stephen Heyneman

“Começaria por dar computadores aos professores”

Recentemente, Don Tapscott, um especialista canadiano em tecnologia, recomendava ao Presidente dos EUA que olhasse para o investimento português em computadores para os alunos do ensino básico. O Magalhães não convence Stephen P. Heyneman, que falou sobre a política educativa da administração Obama, na Universidade Católica Portuguesa, em Lisboa, esta semana. “É um computador colorido. O que me perturba é ter sido dado às crianças como se elas pudessem ter autonomia para trabalhar sozinhas. E os professores?”, pergunta. “Começaria por dar computadores aos professores para trabalhar. Era isso que recomendaria à vossa ministra da Educação”, responde. O que viu foi crianças a brincar com o Magalhães, “como se fosse uma máquina de jogos e não como se tivessem um computador para trabalhar”. “Não deve ter sido para isso que os computadores foram distribuídos. Certamente não eram esses os objectivos do Ministério da Educação”, conclui. (Público, sem link)

Saturday, May 23, 2009

Computador " Magalhães" ilegal: Governo violou normas de Direito Comunitário





Todos os programas ligados ao Plano Tecnológico da Educação, do qual o Magalhães é o mais emblemático, estão em causa. Para a Comissão Europeia, o Governo português não agiu de modo transparente, porque as empresas foram tratadas de modo desigual. A Comissão Europeia considera que o Governo de José Pinto de Sousa violou o direito comunitário e as leis de defesa da livre concorrência ao adjudicar por ajuste directo e não por concurso público todos os programas ligados ao Plano Tecnológico da Educação. Se fosse um professor a violar uma lei, seria de imediato suspenso por uma qualquer directora regional de educação. Como foram os membros do Governo, nada lhes acontece. A única esperança que resta é o julgamento do Povo.
Pessoas sem formação ética que violam sistematicamente as leis, que pressionam o poder judicial, que restringem a liberdade e a democracia nas escolas e que são violadores contumazes dos contratos estabelecidos entre o Estado e os funcionários públicos não merecem a confiança do Povo.

A história

Comissão Europeia considera Magalhães ilegal

Friday, May 22, 2009

Magalhães, alvo de queixa em Bruxelas


No dia em que se sabe - já se sabia ou calculava - que o "plano tecnológico" da troika Pinto de Sousa /Lino/Zorrinho, na componente Magalhães, o ex libris da propaganda, foi alvo de uma queixa em Bruxelas por violação das regras da concorrência comunitária (ajuste directo em vez de concurso público), julgo que o "retrato" de Manuel Pinho feito por um leitor de Loulé completa a ideia geral sobre a farsa em que estamos metidos.

«Só a título de curiosidade. Ontem, feriado municipal em Loulé, o Sr. Pinho da Maizena foi agraciado pela autarquia com a "comenda" d'oiro por se tratar de um "filho da terra"(?). Diria antes, "aperfilhado" pela oportunidade dos elevados serviços prestados ao Concelho através de uns espectáculos que promove por aqui em época de veraneio a preços proíbitivos ao comum do cidadão onde me insiro. A mesma figura que se lembrou de mudar o nome da região acrescentando-lhe um "L" para gozo do restante Portugal, então tão duramente criticado precisamente pelas mesmas pessoas que (ontem) lhe colocaram a "comenda" no cachaço. O verdadeiro "Allgarve" feito à medida para que o Pinho & famelga possam ter algo para se entreter quando vierem a banhos.».

Thursday, October 23, 2008

Carta de uma mãe ao primeiro ministro- longa e interessante

( recebido por e. mail )
Sr. Engº José Pinto de Sousa
,Antes de mais, peço desculpa por não o tratar por Excelência nem por Primeiro-Ministro, mas, para ser franca, tenho muitas dúvidas quanto ao facto de o senhor ser excelente e, de resto, o cargo de primeiro-ministro parece-me, neste momento, muito pouco dignificado.Também queria avisá-lo de antemão que esta carta vai ser longa, mas penso que não haverá problema para si, já que você é do tempo em que o ensino do Português exigia grandes e profundas leituras. Ainda pensei em escrever tudo por tópicos e com abreviaturas, mas julgo que lhe faz bem recordar o prazer de ler um texto bem escrito, com princípio, meio e fim, e que, quiçá, o faça reflectir (passe a falta de modéstia).Gostaria de começar por lhe falar do 'Magalhães'. Não sobre os erros ortográficos, porque a respeito disso já o seu assessor deve ter recebido um e-mail meu. Queria falar-lhe da gratuitidade, da inconsequência, da precipitação e da leviandade com que o senhor engenheiro anunciou e pôs em prática o projecto a que chama de e-escolinha.O senhor fala em Plano Tecnológico e, de facto, eu tenho visto a tecnologia, mas ainda não vi plano nenhum. Senão, vejamos a cronologia dos factos associados ao projecto 'Magalhães':
No princípio do mês de Agosto, o senhor engenheiro apareceu na televisão a anunciar o projecto e-escolinhas e a sua ferramenta: o portátil Magalhães.
No dia 18 de Setembro (quinta-feira) ao fim do dia, o meu filho traz na mochila um papel dirigido aos encarregados de educação, com apenas quatro linhas de texto informando que o 'Magalhães' é um projecto do Governo e que, dependendo do escalão de IRS, o seu custo pode variar entre os zero e os 50 euros. Mais nada! Seguia-se um formulário com espaço para dados como nome do aluno, nome do encarregado de educação, escola, concelho, etc. e, por fim, a oportunidade de assinalar, com uma cruzinha, se pretendemos ou não adquirir o 'Magalhães'.
No dia 22 de Setembro (segunda-feira), ao fim do dia, o meu filho traz um novo papel, desta vez uma extensa carta a anunciar a visita, no dia seguinte, do primeiro-ministro para entregar os primeiros 'Magalhães' na EB1 Padre Manuel de Castro. Novamente, uma explicação respeitante aos escalões do IRS e ao custo dos portáteis.
No dia 23 de Setembro (terça-feira), o meu filho não traz mais papéis, traz um 'Magalhães' debaixo do braço.Ora, como é fácil de ver, tudo aconteceu num espaço de três dias úteis em que as famílias não tiveram oportunidade de obter esclarecimentos sobre a futura utilização e utilidade do 'Magalhães'. Às perguntas que colocámos à professora sobre o assunto, ela não soube responder. Reunião de esclarecimento, nunca houve nenhuma.Portanto, explique-me, senhor engenheiro: o que é que o seu Governo pensou para o 'Magalhães'?
Que planos tem para o integrar nas aulas?
Como vai articular o seu uso com as matérias leccionadas?
Sabe, é que 50 euros talvez seja pouco para se gastar numa ferramenta de trabalho, mas, decididamente, e na minha opinião, é demasiado para se gastar num brinquedo. Por favor, senhor engenheiro, não me obrigue a concluir que acabei de pagar por uma inutilidade, um capricho seu, uma manobra de campanha eleitoral, um espectáculo de fogo de artifício do qual só sobra fumo e o fedor intoxicante da pólvora.Seja honesto com os portugueses e admita que não tem plano nenhum. Admita que fez tudo tão à pressa que nem teve tempo de esclarecer as escolas e os professores. E não venha agora dizer-me que cabe aos pais aproveitarem esta maravilhosa oportunidade que o Governo lhes deu e ensinarem os filhos a lidar com as novas tecnologias. O seu projecto chama-se e-escolinha, não se chama e-familiazinha! Faça-lhe jus!Ponha a sua equipa a trabalhar, mexa-se, credibilize as suas iniciativas!Uma coisa curiosa, senhor engenheiro, é que tudo parece conspirar a seu favor nesta sua lamentável obra de empobrecimento do ensino assente em medidas gratuitas.Há dias arrisquei-me a ver um episódio completo da série Morangos com Açúcar. Por coincidência, apanhei precisamente o primeiro episódio da nova série que significa, na ficção, o primeiro dia de aulas daquela miudagem. Ora, nesse primeiro dia de aulas, os alunos conheceram a sua professora de matemática e o seu professor de português. As imagens sucediam-se alternando a aula de apresentação de matemática por contraposição à de português. Enquanto a professora de matemática escrevia no quadro os pressupostos da sua metodologia - disciplina, rigor e trabalho - o professor de português escrevia no quadro os pressupostos da sua - emoção, entrega e trabalho. Ora, o que me faz espécie, senhor engenheiro, é que a personagem da professora de matemática é maldosa, agressiva e antiquada, enquanto que o professor de português é um tipo moderno e bué de fixe. Então, de acordo com os princípios do raciocínio lógico, se a professora de matemática é maldosa e agressiva e os seus pressupostos são disciplina e rigor, então a disciplina e o rigor são coisas negativas. Por outro lado, se o professor de português é bué de fixe, então os pressupostos da emoção e da entrega são perfeitos. E de facto era o que se via. Enquanto que na aula de matemática os alunos bufavam, entediados, na aula de português sorriam, entusiasmados.Disciplina e rigor aparecem, assim, como conceitos inconciliáveis com emoção e entrega, e isto é a maior barbaridade que eu já vi na minha vida. Digo-o eu, senhor engenheiro, que tenho uma profissão que vive das emoções, mas onde o rigor é 'obstinado', como dizem os poetas. Eu já percebi que o ensino dos dias de hoje não sabe conciliar estes dois lados do trabalho. E, não o sabendo, optou por deixar de lado a disciplina e o rigor. Os professores são obrigados a acreditar que para se fazer um texto criativo não se pode estar preocupado com os erros ortográficos. E que para se saber fazer uma operação aritmética não se pode estar preocupado com a exactidão do seu resultado. Era o que faltava, senhor engenheiro!Agora é o momento em que o senhor engenheiro diz de si para si: mas esta mulher é um Velho do Restelo, que não percebe que os tempos mudaram e que o ensino tem que se adaptar a essas mudanças? Percebo, senhor engenheiro. Então não percebo? Mas acontece que o que o senhor engenheiro está a fazer não é adaptar o ensino às mudanças, você está a esvaziá-lo de sentido e de propósitos. Adaptar o ensino seria afinar as metodologias por forma a torná-las mais cativantes aos olhos de uma geração inquieta e voltada para o imediato. Mas nunca diminuir, nunca desvalorizar, nunca reduzir ao básico, nunca baixar a bitola até ao nível da mediocridade.Mas, por falar em Velho do Restelo...... Li, há dias, numa entrevista com uma professora de Literatura Portuguesa, que o episódio do Velho do Restelo foi excluído do estudo d'Os Lusíadas. Curioso, porque este era o episódio que punha tudo em causa, que questionava, que analisava por outra perspectiva, que é algo que as crianças e adolescentes de hoje em dia estão pouco habituados a fazer. Sabem contrariar, é certo, mas não sabem questionar. São coisas bem diferentes: contrariar tem o seu quê de gratuito; questionar tem tudo de filosófico. Para contrariar, basta bater o pé. Para questionar, é preciso pensar.Tenho pena, porque no meu tempo (que não é um tempo assim tão distante), o episódio do Velho do Restelo, juntamente com os de Inês de Castro e da Ilha dos Amores, era o que mais apaixonava e empolgava a turma. Eram três episódios marcantes, que quebravam a monotonia do discurso de engrandecimento da nação e que, por isso, tinham o mérito de conseguir que os alunos tivessem curiosidade em descodificar as suas figuras de estilo e desbravar o hermetismo da linguagem. Ainda hoje me lembro exactamente da aula em que começámos a ler o episódio de Inês de castro e lembro-me das palavras da professora Lídia, espicaçando-nos, estimulando-nos, obrigando-nos a pensar. E foi há 20 anos.Bem sei que vivemos numa era em que a imagem se sobrepõe à palavra, mas veja só alguns versos do episódio de Inês de Castro, veja que perfeita e inequívoca imagem eles compõem:
'Estavas, linda Inês, posta em sossego,
De teus anos colhendo doce fruito,
Naquele engano d'alma ledo e cego,
Que a fortuna não deixa durar muito (...)'
Feche os olhos, senhor engenheiro, vá lá, feche os olhos. Não consegue ver, perfeitamente desenhado e com uma nitidez absoluta, o rosto branco e delicado de Inês de Castro, os seus longos cabelos soltos pelas costas, o corpo adolescente, as mãos investidas num qualquer bordado, o pensamento distante, vagueando em delícias proibidas no leito do príncipe? Não vê os seus olhos que de vez em quando escapam às linhas do bordado e vão demorar-se na janela, inquietos de saudade, à espera de ver D. Pedro surgir a galope na linha do horizonte? E agora, se se concentrar bem, não vê uma nuvem negra a pairar sobre ela, não vê o prenúncio do sangue a escorrer-lhe pelos fios de cabelo?Não consegue ver tudo isto apenas nestes quatro versos?Pois eu acho estes quatro versos belíssimos, de uma simplicidade arrebatadora, de uma clareza inesperada. É poesia, senhor engenheiro, é poesia! Da mais nobre, grandiosa e magnífica que temos na nossa História. Não ouse menosprezá-la. Não incite ninguém a desrespeitá-la.Bem, admito que me perdi em divagações em torno da Inês de Castro. O que eu queria mesmo era tentar perceber porque carga de água o Velho do Restelo desapareceu assim. Será precisamente por estimular a diferença de opiniões, por duvidar, por condenar? Sabe, não tarda muito, o episódio da Ilha dos Amores será também excluído dos conteúdos programáticos por 'alegado teor pornográfico' e o de Inês de Castro igualmente, por 'incitamento ao adultério e ao desrespeito pela autoridade'.Como é, senhor engenheiro? Voltamos ao tempo do 'lápix' azul?E já agora, voltando à questão do rigor e da disciplina, da entrega e da emoção: o senhor engenheiro tem ideia de quanta entrega e de quanta emoção Luís de Camões depôs na sua obra? E, por outro lado, o senhor engenheiro duvida da disciplina e do rigor necessários à sua concretização? São centenas e centenas de páginas, em dezenas de capítulos e incontáveis estrofes com a mesma métrica, o mesmo tipo de rima, cada palavra escolhida a dedo... o que implicou tudo isto senão uma carga infinita de disciplina e rigor?
Senhor engenheiro José Pinto de Sousa : vejo que acabo de confiar o meu filho ao sistema de ensino onde o senhor montou a sua barraca de circo e não me apetece nada vê-lo transformar-se num palhaço. Bem, também não quero ser injusta consigo. A verdade é que as coisas já começaram a descarrilar há alguns anos, mas também é verdade que você está a sobrealimentar o crime, com um tirinho aqui, uma facadinha ali, uma desonestidade acolá.Lembro-me bem da época em que fiz a minha recruta como jornalista e das muitas vezes em que fui cobrir cerimónias e eventos em que você participava. Na altura, o senhor engenheiro era Secretário de Estado do Ambiente e andava com a ministra Elisa Ferreira por esse Portugal fora, a inaugurar ETAR's e a selar aterros. Também o vi a plantar árvores, com as suas próprias mãos. E é por isso que me dói que agora, mais de dez anos depois, você esteja a dar cabo das nossas sementes e a tornar estéreis os solos que deveriam ser férteis.Sabe, é que eu tenho grandes sonhos para o meu filho. Não, não me refiro ao sonho de que ele seja doutor ou engenheiro. Falo do sonho de que ele respeite as ciências, tenha apreço pelas artes, almeje a sabedoria e valorize o trabalho. Porque é isso que eu espero da escola. O resto é comigo.Acho graça agora a ouvir os professores dizerem sistematicamente aos pais que a família deve dar continuidade, em casa, ao trabalho que a escola faz com as crianças. Bem, se assim fosse eu teria que ensinar o meu filho a atirar com cadeiras à cabeça dos outros e a escrever as redacções em linguagem de sms. Não. Para mim, é o contrário: a escola é que deve dar continuidade ao trabalho que eu faço com o meu filho.Acho que se anda a sobrevalorizar o papel da escola. No meu tempo, a escola tinha apenas a função de ensinar e fazia-o com competência e rigor. Mas nos dias que correm, em que os pais não têm tempo nem disposição para educar os filhos, exige-se à escola que forme o seu carácter e ocupe todo o seu tempo livre. Só que infelizmente ela tem cumprido muito mal esse papel.A escola do meu tempo foi uma boa escola. Hoje, toda a gente sabe que a minha geração é uma geração de empreendedores, de gente criativa e com capacidade iniciativa, que arrisca, que aposta, que ambiciona. E não é disso que o país precisa? Bem sei que apanhámos os bons ventos da adesão à União Europeia e dos fundos e apoios que daí advieram, mas isso por si só não bastaria, não acha? E é de facto curioso: tirando o Marco cigano, que abandonou a escola muito cedo, e a Fatinha que andava sempre com ranhoca no nariz e tinha que tomar conta de três irmãos mais novos, todos os meus colegas da primária fizeram alguma coisa pela vida. Até a Paulinha, que era filha da empregada (no meu tempo dizia-se empregada e não auxiliar de acção educativa, mas, curiosamente, o respeito por elas era maior), apesar de se ter ficado pelo 9º ano, não descansou enquanto não abriu o seu próprio Pão Quente e a ele se dedicou com afinco e empenho. E, no entanto, levámos reguadas por não sabermos de cor as principais culturas das ex-colónias e éramos sujeitos a humilhação pública por cada erro ortográfico. Traumatizados? Huuummm... não me parece. Na verdade, senhor engenheiro, tenho um respeito e uma paixão pela escola tais que, se tivesse tempo e dinheiro, passaria o resto da minha vida a estudar.Às vezes, dá-me para imaginar as suas conversas com os seus filhos (nem sei bem se tem um ou dois filhos...) e pergunto-me se também é válido para eles o caos que o senhor engenheiro anda a instalar por aí. Parece que estou a ver o seu filho a dizer-lhe: ó pai, estou com dificuldade em resolver este sistema de três equações a três incógnitas... dás-me uma ajuda? E depois, vejo-o a si a responder com a sua voz de homilia de domingo: não faz mal, filho... sabes escrever o teu nome completo, não sabes? Então não te preocupes, é perfeitamente suficiente...Vendo as coisas assim, não lhe parece criminoso o que você anda a fazer?E depois, custa-me que você apareça em praça pública acompanhado da sua Ministra da Educação, que anda sempre com aquele ar de infeliz, de quem comeu e não gostou, ambos com o discurso hipócrita do mérito dos professores e do sucesso dos alunos, apoiados em estatísticas cuja real interpretação, à luz das mudanças que você operou, nos apresenta uma monstruosa obscenidade. Ofende-me, sabe? Ofende-me por me tomar por estúpida.Aliás, a sua Ministra da Educação é uma das figuras mais desconcertantes que eu já vi na minha vida. De cada vez que ela fala, tenho a sensação que está a orar na missa de sétimo dia do sistema de ensino e que o que os seus olhos verdadeiramente dizem aos pais deste Portugal é apenas 'os meus sentidos pêsames'.Não me pesa a consciência por estar a escrever-lhe esta carta. Sabe, é que eu não votei em si para primeiro-ministro, portanto estou à vontade. Eu votei em branco. Mas, alto lá! Antes que você peça ao seu assessor para lhe fazer um discurso sobre o afastamento dos jovens da política, lembre-se, senhor engenheiro: o voto em branco não é o voto da indiferença, é o voto da insatisfação! Mas, porque vos é conveniente, o voto em branco é contabilizado, indiscriminadamente, com o voto nulo, que é aquele em que os alienados desenham macaquinhos e escrevem obscenidades.Você, senhor engenheiro, está a arriscar-se demasiado. Portugal está prestes a marcar-lhe uma falta a vermelho no livro de ponto. Ah... espere lá... as faltas a vermelho acabaram... agora já não há castigos...Bem, não me vou estender mais, até porque já estou cansada de repetir 'senhor engenheiro para cá', 'senhor engenheiro para lá'. É que o meu marido também é engenheiro e tenho receio de lhe ganhar cisma.Esta carta não chegará até si. Vou partilhá-la apenas e só com os meus E-leitores (sim, sim, eu também tenho os meus eleitores) e talvez só por causa disso eu já consiga hoje dormir melhor. Quanto a si, tenho dúvidas.Para terminar, tenho um enorme prazer em dedicar-lhe, aqui, uma estrofe do episódio do Velho do Restelo. Para que não caia no esquecimento. Nem no seu, nem no nosso.
'A que novos desastres determinas
De levar estes Reinos e esta gente?
Que perigos, que mortes lhe destinas,
Debaixo dalgum nome preminente?
Que promessas de reinos e de minas
De ouro, que lhe farás tão facilmente?
Que famas lhe prometerás?
Que histórias?
Que triunfos?
Que palmas?
Que vitórias? '
Atenciosamente e ao abrigo do artigo nº 37 da Constituição da República Portuguesa,Uma mãe preocupada
NOTA: Texto recebido por e-mail, de autora não identificada. Publico, porque, num português escorreito como se ensinava há algumas décadas, apresenta uma análise preocupada do «ensino» actual. Merece estar aqui visível para boa e franca ponderação dos leitores.