Wednesday, October 22, 2008

A Escola Pública e o Fordismo

POR LUÍS TORGAL (Prof. Catedrático da Univ. de Coimbra)
A escola pública morreu, enquanto espaço democrático multifacetado (e idealista) de instrução científica e artística e de formação cívica — já o proclamei aqui algumas vezes. Foi abruptamente estilhaçada pelo maremoto das desconexas e demagógicas ordenações socratistas de 2008: novo estatuto do aluno, nova lei sobre o ensino especial, novo regulamento de avaliação de desempenho docente e novo modelo de gestão escolar. Foi desacreditada pela propaganda do ministério e da ministra que a tutelam e caiu em desgraça junto da opinião pública. Foi tomada por demasiados candidatos a futuros directores escolares embevecidos pelos decálogos de José Sócrates e inebriados pelas cartilhas sobre as dinâmicas de gestão no mundo neoliberal – afinal, as mesmas cartilhas que agora puseram o mundo à beira do caos. Foi pervertida pela imposição, por parte do Ministério da Educação, de um sistema burocrático kafkiano que visa obrigar os professores a fabricarem um sucesso educativo ilusório. Foi adulterada por alguns professores pragmáticos ou desprovidos de consciência crítica, os quais exibem a sua diligente e refinada burocracia como arma de arremesso para camuflar as suas limitações científicas, pedagógicas e culturais. E, neste momento, quando decorrem nas várias escolas eleições para os conselhos gerais transitórios, está a ser vítima de um já previsível mas intolerável processo de politização (no sentido mais pejorativo da palavra). Tal processo é dirigido por forças que em muitos casos se mantiveram durante anos alheados dos grandes problemas das escolas, mas que na actual conjuntura encaram estas instituições (outrora) educativas como tribunas privilegiadas para servirem maquiavélicos interesses de poder pessoal e/ou de carácter político-partidário.A nova escola pública que está a emergir é uma farsa. Tornou-se um território deveras movediço, onde reina uma desmedida conflitualidade (e competitividade) social e política e uma grotesca e insuperável contradição entre os conceitos de 'escola inclusiva' e de 'pedagogia diferenciada'. Nesta instituição naufragaram, entretanto, num conspurcado lamaçal, os nobres ideais instrutivos, formativos e educativos. O famoso PC portátil 'Magalhães', ofertado em grande escala, numa bem encenada operação de marketing, a alunos do primeiro ciclo que cada vez sabem menos de Português ou Matemática e utilizam os computadores somente para simples divertimento é, de resto, o mais recente exemplo do sentido irreal e burlesco das prioridades deste sistema educativo.A nova escola pública é hoje uma empresa gerida por muitos tecnocratas alinhados com a actual ordem política, e equipada por operários que se desejam amanuenses servis e catequizados na alegada única ideologia vigente (a qual — agora já todos o sabemos — se encontra manifestamente em crise). A verdadeira função desta espécie de mal engendrada e desalmada linha de montagem é produzir, automaticamente, em massa, de forma acelerada, e a baixos custos, duvidosos produtos estandardizados. Esta nova escola é, afinal, um hino ao velho Fordismo. O tal sistema que venerou o dinheiro como deus supremo do homo sapiens sapiens e que projectou um mundo sublime, onde o Homem é castrado da sua capacidade cognitiva e coagido a demitir-se das suas quotidianas obrigações familiares bem como de outros cívicos desígnios sociais em nome do lucro desenfreado (de uns poucos), da sobrevivência, do consumismo e do hedonismo desregrados. Aquele sistema perfeito superiormente ironizado por Aldous Huxley ('Admirável Mundo Novo') ou por Charlie Chaplin ('Tempos Modernos'), nos anos 30 do século XX, que está agora no epicentro de mais um 'tsunami' financeiro de consequências imprevisíveis para a humanidade, 'tsunami' esse cujas causas são reincidentes e estão bem diagnosticadas. Enfim, aquele implacável sistema materialista mecanicista e 'darwinista' cujo modo de vida John dos Passos também satirizou, numa obra datada dos mesmos anos 30 ('O Grande Capital'), com esta antológicas palavras: 'quinze minutos para almoçar, três para ir à casa de banho; por toda a parte a aceleração taylorizada: baixar, ajustar o berbequim-acertar a porca-apertar o parafuso. Baixarajustaroberbequimacertaraporcaapertaroparafuso, até que a última parcela de vida tenha sido aspirada pela produção e que os operários voltem para casa, trémulos, lívidos e completamente extenuados'.
'Porreiro pá!'
Mas, pá, será esta a escola e o mundo que nós desejamos para os nossos alunos, para os nossos filhos?

Professores do Agrupamento Vertical de Clara de Resende pedem suspensão da avaliação

Realizou-se no dia 21 de Outubro, no Agrupamento Vertical de Clara de Resende uma Reunião Geral de Professores, na sequência de uma moção relacionada com o modelo de avaliação do pessoal docente, assinada pela maioria dos professores do Agrupamento.
Nesta reunião foi aprovada a moção que a seguir se transcreve:
Exmos Senhores Presidentes do Conselho Executivo, Conselho Pedagógico e Assembleia de Escola do Agrupamento Vertical de Clara de Resende
MOÇÃO
Considerando que:
A implementação do modelo de Avaliação de Desempenho Docente introduzida pelo Decreto Regulamentar nº2/2008 tem vindo a provocar graves perturbações no normal funcionamento da escola, nomeadamente:
O enorme gasto de tempo e energia de professores e órgãos de gestão da escola para organizar um processo que é enquadrado por uma panóplia de documentos legais complicados e de rigor duvidoso;
o carácter kafkiano de um processo que, por exemplo, exige a organização, no 1º Período, de mais de 150 entrevistas diferentes envolvendo responsáveis dos órgãos de direcção da escola, professores avaliadores e professores avaliados e subsequentes reuniões de coordenadores e avaliadores e subsequentes reuniões….
a replicação infindável de procedimentos conducente a uma burocracia sem qualquer valor;
a manifesta confusão entre avaliação de desempenho da organização/ agrupamento e a avaliação de desempenho individual de cada um dos professores, note-se a forma como foram introduzidos os resultados escolares no processo de avaliação individual dos professores.
Os professores do Agrupamento Clara de Resende presentes em Reunião Geral, convocada para o efeito, vêm exprimir, junto da V. Excias, o seu repúdio e descontentamento em relação ao actual modelo de Avaliação de Desempenho Docente e entendem que este deve ser suspenso. Nesse sentido solicita-se uma reunião extraordinária da Assembleia de Escola com vista a reanalisar a situação (nomeadamente o calendário previsto)
Porto, 21 de Outubro de 2008
Na sequência desta aprovação, importa salientar que:
“ (…) Não sendo esta reunião vinculativa para ninguém, ficou implícito que, até aos esclarecimentos necessários, não seriam entregues os Objectivos Individuais. Foi ainda sugerido que se despoletasse nos departamentos nova discussão.” ( extracto da acta da reunião).
O presidente da mesa da reunião : Américo Dias
A signatária da moção aprovada : Maria Eduarda Neves

Preço do gasóleo deverá descer abaixo de um euro ( na Espanha )

Espanha prevê baixa do preço do gasóleo
-O ministro da Indústria espanhol, Miguel Sebastián, considera que o preço do gasóleo deverá descer abaixo de um euro por litro dentro de duas a três semanas, face aos actuais 1,12 euros o litro. Em Portugal, tal não deverá acontecer pois a fiscalidade é diferente.
-O ministro espanhol prevê que, dada a evolução das cotações do petróleo nos mercados internacionais e a evolução do euro face ao dólar, dentro de duas a três semanas o preço do petróleo deverá voltar a descer abaixo de um euro e a gasolina deverá ficar por esse valor.
-De acordo com os dados do Boletim Petrolífero da União Europeia da semana passada, o gasóleo rodoviário custava em média 1,126 euros o litro e a gasolina estava a ser vendida em média a 1,111 euros o litro.
- Os revendedores espanhóis consideram também "provável" que o preço do gasóleo desça abaixo de um dólar por litro dentro de uma semana dada a evolução do preço do petróleo.
-A Confederação Espanhola de Empresários de Estações de Serviço espera ainda que a gasolina sem chumbo 95 octanas fique em cerca de um euro o litro na próxima semana.
-Em Portugal, a fiscalidade é outra
-Em Portugal, segundo o secretário-geral da Associação Portuguesa de Empresas Petrolíferas (APETRO), José Horta, não é expectável que o preço do gasóleo "desça rapidamente abaixo de um euro por litro".
-O gasóleo foi vendido, em média, a 1,26 euros por litro na semana passada em Portugal, segundo os dados do Boletim Petrolífero da União Europeia.
- A diferença, explicou José Horta, reside na fiscalidade.
-O imposto sobre os produtos petrolíferos é de 30 cêntimos por litro em Espanha e de 36,4 cêntimos por litro em Portugal. Acresce ainda o IVA que é cobrado a 20 por cento em Portugal e a 16 por cento em Espanha, refere o responsável.
-A última vez que o gasóleo rodoviário esteve abaixo de um euro, em Portugal, foi na semana de 9 de Fevereiro de 2007, quando era vendido a 0,998 euros o litro.
-O petróleo de Brent tem estado a cotar na casa dos 68 dólares o barril - metade do alcançado em Julho - embora tenha registado uma ligeira subida, para os 71,85 dólares, esta segunda-feira, com as perspectivas de uma quebra da produção por parte da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP).
- (Jornal de Notícias)
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A Escola Secundária Camilo Castelo Branco, de VilaReal , exige a suspensão da avaliação de desempenho

C/ conhecimento ao Conselho Pedagógico e ao Conselho Executivo da Escola Secundária Camilo Castelo Branco
Os professores da Escola Secundária/3 Camilo Castelo Branco, abaixo assinados, vêm, por este meio, chamar a atenção para a situação que passam a expor.
Não é possível pensar a acção educativa sem conceber a sua avaliação, quer se trate dos alunos, dos docentes ou, de um modo geral, de todos os profissionais envolvidos no fenómeno do ensino e da aprendizagem. Como qualquer actividade humana, a educação está sujeita às mudanças que se vão operando no seio das sociedades, estruturadas em paradigmas que variam consoante as épocas. Do mesmo modo, os pressupostos subjacentes ao conceito de avaliação, bem como os instrumentos pelos quais esta se actualiza, devem ser continuamente revistos, numa perspectiva formativa, construtiva, de modo a poder dar uma resposta adequada às exigências que as sociedades modernas hoje nos colocam em termos dos padrões de conhecimento.
Avaliar e ser avaliado sempre foram dois aspectos indissociáveis da condição de professor. Olhando para trás, ao longo das várias reformas educativas, a avaliação foi um direito que, de alguma maneira, foi negado aos professores, na medida em que todo o empenho, profissionalismo, dedicação e qualidade científica que muitos deles sempre puseram no seu trabalho foram submersos na mediania igualitária – não necessariamente justa – de uma menção de Satisfaz.
Vivemos um tempo de mudança. Sabemos que qualquer mudança digna desse nome provoca sempre alguma instabilidade, encontra resistências, causa apreensões. Daí a necessidade e a importância de debater as questões em profundidade, de pensar em conjunto sobre os problemas, de tentar perceber a fundamentação dos pressupostos e operacionalizar os modos da sua articulação à prática.
Numa altura em que o modelo de avaliação de desempenho do pessoal docente está a ser posto em prática à revelia de toda uma classe, não porque os profissionais rejeitem ser avaliados, mas porque exigem uma avaliação construtiva, não burocrática, que não perca de vista o objectivo principal da acção educativa – os alunos e as suas aprendizagens - e que não transfira para os profissionais do sistema o ónus das fraquezas desse mesmo sistema, urge PARAR PARA REFLECTIR.
Está claro para a classe docente que este modelo de avaliação é um modelo atabalhoado, desajustado, burocrático, anti-ecológico – pense-se na quantidade de árvores que vai ser necessário abater para produzir pasta de papel suficiente para todas as evidências, grelhas, fichas que o modelo comporta e obriga – que obriga os professores a desdobrarem-se em múltiplas tarefas cuja finalidade não está sob a sua alçada mas pertence, definitivamente, à esfera do governo que para tal foi democraticamente eleito pelos cidadãos aos quais prometeu as metas que agora tenta, por decreto, afectar aos professores.
É óbvio para qualquer pessoa e, principalmente, para aqueles que vivem, por dentro, a realidade de uma escola ou tutelam essa realidade, que o combate ao insucesso e ao abandono escolares não são da responsabilidade dos docentes, enquanto indivíduos, mas da escola como um todo e do sistema educativo em que se alicerça.
Também o professor não está no terreno a defender pontos de vista ou posicionamentos individuais; faz parte do todo e a sua autonomia esgota-se no cumprimento dos programas e dos curricula delineados pelo Ministério da Educação. Logo, não lhe cabe a ele definir objectivos. Os objectivos de todos os docentes estão definidos, à partida, são comuns a todos os professores e passam, indiscutivelmente, pelo sucesso dos seus alunos. Porém, não está na sua mão garantir resultados. Há todo um conjunto de factores - como o meio onde a escola está inserida, a situação sócio económica dos agregados familiares, a cultura de hábitos de trabalho ou a ausência dela, a falta de expectativas de alunos e encarregados de educação, o papel atribuído à escola na formação dos jovens, vista por alguns como um espaço natural de aquisição de competências e saberes e por muitos como o local onde deixar as crianças e os jovens durante as horas de expediente - que não dependem do professor mas são resultado de anteriores políticas educativas e económicas e de que todos, professores, alunos e a sociedade em geral, sofremos os efeitos.
Estes factores suscitam, igualmente, outras tantas questões:
Nunca antes houve, em Portugal, uma avaliação respeitante à implementação das várias políticas educativas de sucessivos governos. Porquê, agora, imputar aos professores a responsabilidade dos erros dessas mesmas políticas?
Por que motivo a “culpa”, nas palavras da Senhora Ministra, do insucesso dos alunos tem de ser, necessária e exclusivamente, atribuída aos professores?
Que responsabilidade têm os professores na decisão de algumas famílias de retirarem os jovens da escola para, assim, poderem fazer face a uma situação económica desfavorável?
Por que razão os professores têm de se comprometer, no início de cada ano lectivo, com metas que, desde logo, não dependem só de si, como a melhoria dos resultados dos alunos e a diminuição da taxa de abandono escolar?
Numa lógica empresarial de desempenho por objectivos, como se depreende dos diplomas emanados do Ministério da Educação, estando envolvidas no processo três entidades distintas – professores, alunos e encarregados de educação – por que motivo só aos primeiros se exige deveres e se cobra resultados?
Qual a justiça de um modelo de avaliação de desempenho, ADD, que obriga o trabalhador, neste caso os professores, a despenderem inúmeras horas, para além das 35 consagradas nos seus horários, em tarefas burocráticas ou extra curriculares, umas, de formação e investigação, outras, que não são contabilizadas, ou sequer pagas, mas que contribuem, perversamente, para a sua avaliação?
Qual a lógica de um modelo de avaliação docente que:
. avalia do mesmo modo professores em início, meio e final de carreira?
. não respeita a especificidade da área de especialização de cada docente?
. não melhora a qualidade de ensino e não valoriza profissionalmente os professores?
. não contempla a actualização pedagógico-científica dos docentes – preparação de aulas, formação profissional , etc. – ou o seu investimento em formação pós-licenciatura?
. não dá formação, ou fá-lo tardiamente, e apenas a alguns, dos intervenientes no processo?
. impõe quotas quanto à atribuição das menções qualitativas, de acordo com o despacho 20131/2008, condicionando, à partida, os resultados da avaliação e comprometendo a sua imparcialidade?
Num processo normal, bem pensado, bem planeado e minimamente credível, deveria ter havido um tempo previamente estabelecido para reflexão e debate dos objectivos da avaliação, dos diplomas que lhe conferem enquadramento legal bem como dos instrumentos que a servem. Tal não aconteceu e o processo foi imposto unilateralmente.
Em conclusão, é necessário reformular este modelo de avaliação, dando-lhe sentido, credibilidade e eficácia e reparando as injustiças que os diplomas legais impostos pelo Ministério da Educação consagram.
Assim, e enquanto essa reformulação não tiver lugar, os abaixo assinados, tomam a iniciativa de suspender avaliação do desempenho, não entregando os seus objectivos.
Vila Real, 21 de Outubro de 2008

Manifestação de estudantes em Lisboa

Estudantes manifestam-se em Lisboa a 5 de Novembro contra o novo Estatuto do Aluno.
Notícia DN ONLINE
Pode ler-se"... o novo modelo de gestão das escolas que pretende transportar a nossa escola e a nossa educação para um modelo de democracia interna que nos faz mais lembrar as escolas do outro tempo."

Tem a sua piada

( recebido por e. mail )

À porta do Ministério da Educação, na Av. 5 de Outubro, foi encontrado um recém-nascido abandonado. O bebé foi limpo e alimentado pelos funcionários que decidiram dar conhecimento do assunto à Ministra da Educação. Depois de oito dias, é emitida a seguinte determinação , dirigida ao Secretário de Estado, Valter Lemos:
Forme-se um Grupo de Trabalho para investigar
a) - Se o “encontrado” é produto doméstico deste Ministério;
b) - Se algum funcionário deste Ministério se encontra com responsabilidades neste assunto.
Após um mês de investigação, o Grupo de Trabalho, nomeado por Valter Lemos, conclue:
” O encontrado” nada tem a ver com este Ministério pelas razões seguintes:
a) - Neste Ministério não se faz nada por prazer nem por amor;
b) - Neste Ministério jamais duas pessoas colaboram intimamente para fazerem alguma coisa de positivo;
c) - Neste Ministério tudo o que se faz não tem pés nem cabeça;
d) - No arquivo deste Ministério nada consta que tivesse estado terminado em apenas 9 meses.
Assina: O coordenador do Grupo de Trabalho

Repúdio ao novo Modelo de Avaliação de Desempenho- Portimão

Manifestação da Revolta Docente
Moção
Os professores e educadores presentes na Manifestação da Revolta Docente, em Portimão:
1. Declaram o seu mais veemente protesto e repúdio perante o Novo Modelo de Avaliação de Desempenho introduzido pelo Decreto Regulamentar nº 2/2008.
2. Recusam um modelo que configura uma lógica burocrática, economicista, punitiva, anti-pedagógica e normalizadora, desviando os reais objectivos que devem presidir ao processo de ensino-aprendizagem e sujeitando os professores a tarefas de índole meramente burocráticas de elaboração de documentos, em prejuízo das funções pedagógicas e didácticas.
3. Rejeitam um modelo de avaliação assente num Estatuto da Carreira Docente que divide arbitrariamente a carreira em duas categorias, bem como um regime de quotas que impõe uma manipulação dos resultados da avaliação, o que irá provocar nas escolas situações de uma tremenda parcialidade e injustiça e fabricar um falso sucesso escolar.
4. Consideram ilegítimo e injusto que a avaliação de desempenho e a progressão na carreira dos docentes, se subordine a parâmetros como a avaliação atribuída aos seus alunos e o sucesso destes. Tal como rejeitam frontalmente a penalização nos critérios de obtenção de “Muito Bom” ou de “Excelente”, pelo facto de usarem direitos protegidos e consagrados constitucionalmente, como sejam a maternidade/paternidade, doença, o cumprimento de obrigações legais e nojo, ou a participação em eventos de reconhecida relevância social ou académica.
5. Acham execrável que este modelo de avaliação de desempenho – um autêntico monstro – sirva para adulterar a graduação profissional dos professores através da introdução de uma nova variável na graduação, ou seja, um professor que obtenha Excelente vai ter mais 3 valores na graduação, um que tenha Muito Bom terá mais 2 valores e os restantes, com Bom, Insuficiente ou Regular levam todos zero.
6. A vida nas escolas está num autêntico sufoco e os professores já não aguentam mais, passado que é apenas um mês de aulas. São reuniões sucessivas e intermináveis, sobrecarga de tarefas e aumento de ritmos e horas de trabalho, aumento das divisões e tensões na classe, preenchimento de grelhas, objectivos e de todo o tipo de papelada burocrática que não serve rigorosamente para nada. Os professores e educadores, a perder cada vez mais os seus direitos históricos, não têm tempo para se dedicarem ao nobre acto para que foram formados – ensinar devidamente os seus alunos. Tal, irá reflectir-se negativamente na aprendizagem destes.
7. Os professores e educadores não questionam a avaliação de desempenho como um instrumento que conduza à valorização das suas práticas docentes, com resultados positivos nas aprendizagens dos alunos e promotor do desenvolvimento profissional. Um modelo que seja o resultado de um amplo debate nacional entre os docentes, os seus legítimos representantes e o Ministério da Educação, que seja consistente, formador e capaz de valorizar a diversidade de competência que compõem a escola. Desta forma, a Escola Pública será prestigiada, valorizada e dignificada.
Perante o acima exposto, os professores e educadores presentes:
a) Exigem ao ME a suspensão imediata do actual modelo de avaliação de desempenho.
b) Saúdam as diversas iniciativas de resistência e protesto que se têm vindo a manifestar em diversas escolas do país contra este modelo de avaliação.
c) Apelam a todos os Movimentos e Sindicatos de Professores para que, Todos em Unidade, participem em Novembro, numa Manifestação Nacional contra este modelo de avaliação de desempenho e as políticas negativas do governo na área do ensino e educação.
d) Exortam todos os Professores e Educadores deste país a lutarem pelos seus direitos e em Defesa da Escola Pública, resistindo, ampliando e participando em todas as acções de protesto e revolta contra essas políticas negativas e, em particular, contra o “monstro” que representa este modelo de avaliação de desempenho. Há que aniquilar o “monstro”, antes que nos devore!
Portimão, 21 de Outubro de 2008
Observação: Esta Moção foi aprovada por unanimidade e aclamação por uma centena de professores presentes na Manifestação da Revolta Docente.

Tuesday, October 21, 2008

Pedido de suspensão da avaliação - V. N. Poiares

Escola alega falta de tempo para os alunos e pede suspensão da avaliação de desempenho.
O Agrupamento de Escolas de Vila Nova de Poiares pediu ao Ministério da Educação a suspensão do processo de avaliação de desempenho. Segundo o Conselho Executivo, o modelo é "inexequível" e os professores estão "sem tempo" para os alunos.Numa carta enviada à ministra da Educação, a que a Lusa teve acesso, 116 dos 130 professores do Agrupamento de Escolas de Vila Nova de Poiares pedem a "revogação imediata" do despacho que institui a avaliação de desempenho e de toda a legislação "conexa".Os docentes consideram que a aplicação do modelo é "inexequível, por ser inviável praticá-lo segundo critérios de rigor, imparcialidade e justiça" e que "não contribui nem para o sucesso dos alunos, nem para a qualidade do trabalho pedagógico que os professores pretendem"."Assenta numa perspectiva desmesuradamente burocrática, quantitativa e redutora da verdadeira avaliação de desempenho dos docentes. Pela sua absurda complexidade, não é aceite pela maioria dos professores deste país, não se traduzindo, por isso mesmo, em qualquer mais-valia pessoal e/ou profissional", lê-se na missiva.Em declarações à agência Lusa, a presidente do Conselho Executivo afirma que os professores já andam "deprimidos, extremamente cansados e desmotivados", garantindo que o tempo disponível para os alunos "é diminuto"."Se esta burocracia traduzisse no final um benefício para a educação fazíamos um sacrifício ainda maior. Mas pensamos que o que se passa é o contrário. Isto é acabar com o ensino porque os professores estão sem tempo para os alunos", garantiu Maria Eduarda Carvalho.Segundo a responsável, os problemas começam logo com a divisão da carreira em duas categorias: professor e professor titular. Naquele agrupamento de escolas, os professores titulares do departamento de Matemática, avaliadores, são todos docentes da disciplina."Como podem avaliar um professor de Física, Química ou Informática quando cientificamente não tem nada a ver? Com a delegação de competências tenho professores de Educação Visual a avaliar professores de Educação Física", crítica a docente.Maria Eduarda Carvalho acrescenta que a "grande maioria" dos docentes do agrupamento trabalha "muito mais" do que as 35 horas semanais e que alguns já estão a pensar abandonar a profissão."Este ano já se reformaram dois professores e outros dois estão a pensar pedir a reforma para o ano, ainda que com penalizações. O que me vale é que tenho um corpo docente jovem e sem tempo de serviço para o poder fazer", diz.A presidente do Conselho Executivo sublinha ainda que a avaliação vai interferir com o "futuro e as vidas" dos professores, já que a classificação final influenciará o concurso de 2009, que vai ditar as colocações para os quatro anos seguintes."Não pode ser com uma avaliação leviana como esta", criticou a responsável, afirmando que, no seu caso, não se sente "preparada" nem "formada" para avaliar um docente de Educação Física, por exemplo: "Não sei avaliar se ele está a preparar bem as aulas".Sublinhando que "os objectivos individuais e colectivos dos professores do agrupamento são ensinar os alunos e prepará-los para uma sólida construção de um projectos de vida", o conselho pedagógico aprovou no final de Setembro um outro documento, onde manifesta "repúdio" e "oposição" ao modelo do Ministério da Educação."A existência e o uso destes instrumentos de avaliação, ou de quaisquer outros baseados na mesma legislação, merecem o nosso repúdio e a nossa total oposição por serem não só inadequados como prejudiciais à nossa função de professores", lê-se numa declaração, igualmente enviada a Maria de Lurdes Rodrigues.Segundo o Conselho Pedagógico, o Ministério da Educação, com as suas reformas, conseguiu "um efeito verdadeiramente subversivo". "Subverteu a essência do trabalho dos professores: em vez de estar a ser orientado para resolver os problemas dos alunos, ele centra-se, agora, nos problemas profissionais dos professores"."Esperamos que este esforço não seja em vão e que, pelo menos, possa levar, no final deste ano lectivo, à revisão e alteração deste monstro aterrador que nascido do casamento entre a injustiça e o disparate só pode parir injustiças e disparates", lê-se.Contactado pela Lusa, o assessor de imprensa do Ministério da Educação sublinhou que o Conselho Pedagógico aprovou os instrumentos de registo e que a avaliação "não está parada" no estabelecimento de ensino.
In Educare.pt.

Portugal país da União Europeia melhor posicionado nas desigualdades sociais

No seu relatório “Crescimento e Desigualdades”, hoje divulgado, a OCDE afirma que o fosso entre ricos e pobres aumentou em todos os países membros nos últimos 20 anos, à excepção da Espanha, França e Irlanda, e o o risco de pobreza deslocou-se das pessoas idosas para as crianças e os jovens adultos, reflexo do novo paradigma de organização do trabalho, mais precário e pior pago. Um dado importante, na medida em que a mobilidade social é tanto mais díficil quanto mais acentuada for a desigualdade entre ricos e pobres.No top dos países mais justos aparecem a Dinamarca e a Suécia, países com sistemas tributários fortemente progressivos e com legislações laborais que previligiam a segurança dos vínculos e o bem-estar dos trabalhadores e não os lucros das empresas. O contrário acontece nos países do top dos mais injustos, onde Portugal é o país da União Europeia melhor posicionado, aparecendo no terceiro lugar, a par com os Estados Unidos, logo a seguir à Turquia e México, o mais injusto.Medida da orientação e do tipo de políticas que têm sido seguidas no mundo inteiro é o aumento da distância que separa os rendimentos dos mais ricos e dos mais pobres, verificado em três quartos dos 30 países da OCDE, e o aumento do número de pobres durante as duas últimas décadas. O fosso entre ricos e pobres aumentou no Canadá, Alemanha, Noruega, Estados Unidos, Itália e Finlândia, mas diminuiu no México, Grécia, Austrália e Reino Unido.

Computador " Magalhães "



Vídeo Zé Carlos - episódio 3 - Computador " Magalhães "

Monday, October 20, 2008

Posições colectivas nas Escolas estão em marcha

As posições colectivas nas escolas estão em marcha
Já são várias as escolas que este ano lectivo estão a avançar com moções a exigir a suspensão da avaliação. Nalguns casos, a avaliação está mesmo suspensa. Acredito que esta dinâmica se pode reproduzir com facilidade.Existe a possibilidade de professores de outras escolas seguirem estes exemplos.
Escola de Arraiolos suspendeu avaliação
Abaixo-assinado (Escola Secundária Dr. Júlio Martins)
Moção no Agrupamento de Escolas de Vouzela
Professores de Ourique suspendem avaliação
Professores da Escola Secundária D. João II organizam-se para exigir a suspensão do processo de avaliação
Escola Eugénio de Castro (Coimbra)
Agrupamento de Escolas de Ovar
PARAR PARA RFLECTIR
Escola Secundária da Amadora
Agrupamento de Armação de Pêra
Escola Secundária Jaime Magalhães Lima (Aveiro)
Escola Alice Gouveia (Coimbra)
Agrupamento de Escolas de Aradas (Aveiro)
Agrupamento de Ourique
Professores de Chaves
CCAD da escola secundária D. João II contesta posição do Conselho de Escolas sobre a avaliação de desempenho
MANIFESTAÇÃO DA UNIDADE E DA VONTADE DOS PROFESSORES

Um milhão de euros por seis fotos

Há menos de um ano, pagou-se 3 milhões pela campanha «Portugal West Coast»
A ideia é do próprio Governo português que, mesmo em tempo de crise, está a ponderar seriamente a contratação de um famoso fotógrafo norte-americano para vender a imagem de Portugal no estrangeiro, noticiou a «TVI».Certo é que o prestigiado fotógrafo Steven Klein faz-se pagar e muito bem. Fazendo contas, caso a contratação vá para a frente, cada fotografia vai custar uma bagatela de quase 170 mil euros. Um milhão de euros por meia dúzia de fotografias e com direitos de utilização por apenas dois anos. Serão estes os termos de um contrato que a «TVI» sabe estar a ser negociado com o célebre fotógrafo americano Steven Klein.O artista está no topo da fotografia mundial e é autor de campanhas publicitárias de nomes como Dolce&Gabanna, Calvin Klein e outras marcas de renome mundial.
A «TVI» diz que interrogou o ministro da Economia sobre o negócio, mas Manuel Pinho foi no mínimo económico nas respostas. O ministro sacode para o turismo de Portugal que por sua vez, e pela voz do presidente Luís Patrão, não confirmou nem desmentiu a existência deste negócio.
(Agência Financeira)

Segunda demissão no Conselho de Avaliação

Ministra cala vozes críticas
A Federação Nacional dos sindicatos da Educação (FNE) acusou ontem o Ministério da Educação (ME) de procurar “silenciar” o Conselho Científico de Avaliação de Professores (CCAP). Este órgão, cujos membros são nomeados pelo ME, com a missão de acompanhar e monitorizar o novo modelo de avaliação dos docentes, sofreu a segunda baixa com a demissão do professor José Matias Alves, como noticiou ontem o CM. A primeira demissão, da presidente Conceição Castro Ramos, aconteceu recentemente, mas oficialmente deveu-se a aposentação.“A Drª Conceição fez recomendações que vinham pôr em causa matérias do actual modelo e que causaram incómodo à ministra [Maria de Lurdes Rodrigues] e pouco depois saiu. Se agora saiu o professor Matias Alves é porque algo não está a correr bem”, disse ao CM José Ricardo, vice-secretário-geral da FNE, acrescentando: “O que o Ministério pretende é criar uma pressão de tal ordem para silenciar o Conselho. Isto é gravíssimo.”O dirigente deixou ainda um alerta sobre a forma como os dois membros do CCAP que saíram serão substituídos: “Se é para colocar pessoas que estão numa posição de submarinos do Ministério da Educação, está a inquinar-se a verdadeira função deste órgão, que era suposto ter autonomia.”Também José Manuel Costa, do secretariado-geral da Federação Nacional dos Professores (FENPROF), se mostrou apreensivo com a segunda demissão no CCAP. “O futuro deste órgão não nos parece muito risonho, e isto preocupa-nos porque tinha a função de supervisionar o funcionamento do modelo de avaliação e as críticas que pudessem vir daí seriam muito significativas.”O CM tentou, sem sucesso, obter uma reacção do Ministério da Educação.

Saturday, October 18, 2008

Resistência contra a excessiva carga burocrática

Docentes estão a dizer à ministra que modelo não é exequível"
Os conselhos pedagógicos das escolas Alice Gouveia, de Coimbra, e Jaime Magalhães, de Aveiro aprovaram documentos que pedem a suspenção do processo de avaliação e desempenho dos professores.
A excessiva carga burocrática, a ausência de formação para preenchimento da ficha de objectivos individuais ou a publicação obrigatória dos despachos de delegação de competências dos professores avaliadores são motivos invocados para a tomadas de posição. São apenas dois exemplos. Aos sindicatos chega diariamente o conhecimento de mais situações.
"No Barreiro, por exemplo, há escolas onde a quase totalidade dos professores subscreveram esses pedidos. O movimento está a crescer", descreve Carlos Chagas. O líder do Fenei/Sindep considera que a ministra da O JN Online destaca: Educação só terá duas opções, na reunião entre Sindicatos, ME e Conselho Científico para a Avaliação, no final do 1º período: "ou suspende ou arranja novo regime simplificado, o que provará a falência do modelo". Para o líder da Fenprof, Mário Nogueira, "os docentes, no terreno, estão a dizer à ministra que o modelo não é exequível".
"Como é possível um professor, com cinco turmas, ter de fazer só para o processo de avaliação 758 páginas de relatórios, 1456 fotocópias para o portfólio e 91 reuniões, além das orbigatórias com os encarregados de educação?", insiste Carlos Chagas.
A Associação Nacional de Professores também elogia as tomadas de posição das escolas. "De pouco servem as manifestações se nos lugares próprios os docentes não forem consequentes", defendeu João Grancho.
Comentário
A onda alastra por todo o país. Bravo, escola secundária D. João II, em Setúbal, escolas de Chaves, escola secundária da Amadora, escola secundária de Ovar, agrupamento de escolas de Armação de Pêra, escola secundária Eugénio de Castro, em Coimbra. Finalmente, os jornais estão a fazer eco da resistência interna, da luta silenciosa que os professores travam nas escolas. Há heróis e heroínas nas escolas de Portugal. Homens e mulheres que não se deixam amedrontar por tiranetes e aspirantes a ditadores. A onda cresce dentro e fora das escolas. Basta mais um esforço: todos presentes nas manifestações de 8/11 e de 15/11, em Lisboa! Está quase. Agora, ninguém desiste. Ninguém fica em casa!

Friday, October 17, 2008

O Departamento de Expressões da Escola Eugénio de Castro exigiu a suspensão do processo da avaliação do desempenho

O Departamento de Expressões da Escola de Eugénio de Castro, em Coimbra, reuniu, no passado dia 13/10, para discutir questões relacionadas com a avaliação de desempenho dos professores/objectivos individuais. O prolongamento da reunião e o adiantado da hora não permitiram chegar a conclusões. Repetiu-se a dose ontem, dia 15 de Outubro. Ao fim de várias horas de trabalho e de muita intervenções interessantes, o Departamento aprovou, por unanimidade, a suspenção da avaliação do desempenho de professores.
O movimento de contestação cresce dentro das escolas e passa por duas vertentes complementares: aprovação de moções que exigem a suspensão do processo e a preparação das manifestações de 8/11 e de 15/11. Como são espíritos livres, os professores tomam decisões sobre a sua participação numa ou noutra das manifestações ou nas duas sem precisarem de cabrestos. Pensam pela sua própria cabeça. À medida que mais professores são envolvidos no processo de avaliação de desempenho, mais são os que se apercebem do Inferno onde os colocaram. A tomada de consciência da impossibilidade de aceitar o modelo burocrático de avaliação cresce na proporção dos que se envolvem nele.
Penso que este tipo de acção se irá alargar a mais Escolas do País.

Professores obrigados a compor canções e a fazer teatro em louvor do Magalhães

Ontem, o noticiário da noite da RTPN revelou que o vídeo mais visto, durante o dia, fora o que anda na boca de todos os professores e alunos deste país: um grupo de professores a remarem e a cantarem, em posições de enorme ridículo, a propósito de uma acção de formação sobre o Migalhães, realizada, em Cantanhede, com o patrocínio do ME e da Intel. Toda a imprensa escrita se referiu ao triste episódio. O JN de hoje destaca o assunto numa peça muito interessante a que dá o nome de "Louvar o Magalhães a Cantar":
Professores criaram músicas a louvar o Magalhães e cantaram durante as acções de formação. Um professor, indignado, filmou e mostrou o que se passou durante as sessões.
Paulo Carvalho, no seu blog, acusa o Ministério de ter obrigado os professores "a produzir teatrinhos e cantigas para miúdos de 6 anos, outro meio dia gasto com russos a lerem powerpoints em pseudo inglês, escritos em Português, com tradução por senhoras contratadas." E o JN acrescenta: "Num outro vídeo, cinco professores, auto intutlados "Sweet water sailors" (Marinheiros de água doce), estão sentados nos degraus de uma escada, com um Magalhães no colo e simulam estar a remar ao mesmo tempo que cantam: "Aqui vem o Magalhães/ Um PC de encantar/ Para o menino e para a menina / Não é para a mãe brincar//Não é para a mãe brincar/O Magalhães é para ficar / Já não há volta a dar / O Magalhães veio para ficar", ao som da música "Grândola Vila Morena", de Zeca Afonso. Existiam mais vídeos, mas durante o dia de ontem foram apagados da Net."
Haja decoro! Pôr os professores em situações ridículas e a promoverem um produto comercial da INTEL ao som do Zeca Afonso é indecoroso. Só há uma palavra para descrever a situação: carneiros!Veja aqui o vídeo.

Vale tudo: Lei do Orçamento altera Decreto Regulamentar 2.2008

Vejam bem o medo que eles têm dos professores e de todos os espíritos livres: aproveitaram a Lei do Orçamento para alterarem a norma que obriga à publicação em DR do despacho de delegação de competências de avaliação de desempenho.
Reparem bem: os efeitos são retroactivos à data da publicação do decreto regulamentar 2/2008, ou seja, a 10 de Janeiro de 2008. O estado de direito está a terminar pelas mãos de um partido que se diz de esquerda. É assim, aos poucos e sem resistência dos cidadãos, que as ditaduras se impõem. Os professores foram o grupo primeiro grande grupo profissional a abater pelos inimigos da democracia; por duas razões: são 140 mil e são espíritos livres.
Artigo 138.º Alteração ao Decreto Regulamentar n.º 2/2008, de 10 de Janeiro
1 - O artigo 12.º do Decreto Regulamentar n.º 2/2008, de 10 de Janeiro, passa a ter a seguinte redacção:
«Artigo 12.º […]
1 - […].
2 - […].
3 - […].
4 - […].
5 - […].
6 - Às delegações previstas nos n.ºs 2 e 4 não se aplica o disposto no n.º 2 do artigo 37.º do Código do Procedimento Administrativo, sem prejuízo da possibilidade da sua afixação em local apropriado que possibilite a sua consulta pelos interessados.»
2 - A alteração prevista no número anterior produz efeitos desde a data de entrada em vigor do Decreto Regulamentar n.º 2/2008, de 10 de Janeiro, aplicando-se aos actos praticados desde essa data.
http://www.dgo.pt/oe/2009/Proposta/Lei/lei-2009.pdf

Thursday, October 16, 2008

Escândalo no Ministério de Educação

( recebido por correio electrónico)
Isto é uma sem vergonha!!!
Deputados a prof. titular
Os deputados do PS estão contra nós, mas querem ser titulares sem porem os pés na escola.
Que VERGONHA!
Retirado da Ordem Trabalhos hoje ME / Plataforma:
Ponto 8. Acesso à categoria de Professor Titular para os Professores em exercício de funções ou actividades de interesse público, designadamente, enquanto Deputados à Assembleia da República e ao Parlamento Europeu, Autarcas, Dirigentes da Administração Pública, Dirigentes de Associações Sindicais e Profissionais. Agora é que não percebo nada!
Mas agora já se pode 'atingir o topo'... mesmo estando 'fora' da escola?
Todas as mudanças que o ME quis fazer não foi para acabar com 'isso'? Não ia ser titular apenas quem provasse, 'no terreno', a sua excelência? Dizem uma coisa, fazem outra... a toda a hora! Depois de se terem 'esquecido' dos que antes estiveram nessas funções, no primeiro concurso....: mais um concurso extraordinário? ou só conta daqui para a frente, e os «tristes» que ficaram para trás? Tem que ser o tribunal a dar-lhes razão? O novo 4º escalão será, provavelmente, para os 'Professores-titulares-avaliadores'. Deste modo, cria um 'estatuto' diferente para quem é avaliador e foge às incompatibilidades de avaliador e avaliado concorrerem às mesmas cotas. Quantos chegaram a titular por haver uma vaga na escola e não ter mais ninguém a concorrer, no entanto escolas houve em que colegas com quase o dobro dos pontos não acederam a PT porque não havia vaga, e com isto só quero dizer e afirmar da injustiça desta peça, monstruosamente montada e maquiavelicamente posta em prática que é a dos professores titulares. Esta proposta do PM é inaceitável. Espero que professores e sindicatos estejam bem conscientes desta proposta que é verdadeiramente ofensiva, para não dizer outra coisa! Tenhamos dignidade e não nos deixemos vender. Esta é das respostas mais repugnantes jamais feitas por um governo. Oferecem tachos a sindicalistas, boys e girls das direcções gerais dos vários ministérios, há uma tentativa de oferecer aos professores avaliadores um 'acesso' ao 4º escalão de titular. *Chegamos ao limite da indecência e a resposta só pode ser uma*:
revisão do ECD, anulação da divisão da carreira e combate total a esta avaliação.
DEVEMOS OBRIGAR OS SINDICATOS A REJEITAR LIMINARMENTE ESTAS PROPOSTAS!

" Subprime" na Educação

A crise que estamos a atravessar teve a sua génese, entre outras coisas, na "distribuição" de crédito a pessoas que não tinham rendimentos para os pagarem, feita por "responsáveis" analistas de risco que recebiam prémios proporcionalmente ao número de créditos concedidos. Parece que a coisa foi estanque este fim de semana com a atribuição de uns valentes 1.3 triliões ao mercado.
Por incrível que pareça, esta burrice tem um dos seus mais conseguidos paralelismos na educação. Atribuem-se notas a quem não tem saber para isso, as famílias rejubilam com a entrada dos filhos na universidade, como com os créditos que lhes venderam a taxas pornográficas, e os professores - já faltou mais - são promovidos pelo número de aprovações que concedem e não pela sua qualidade ou excelência. Para terminar em beleza o paralelismo, resta acrescentar que no ensino superior não se passa pelo número de cadeiras ou disciplinas aprovadas, mas por um sistema de... créditos.
Isto é a caldeirada que se está a preparar. Na presente crise, houve bancos que faliram pessoas que ficaram sem casas, um país na bancarrota, taxas de juro a bater recordes e mais uma série de consequências por todos conhecidas. No entanto, na outra crise que penso que advirá de uma tamanha irresponsabilidade na educação, consequências muito mais gravosas se esperam. Até porque os biliões nunca transformarão um analfabeto com licenciatura num cidadão competente num fim de semana.

Uma decisão de Armando Vara- Millenium BCP

A Federação Portuguesa de Futebol anunciou um acordo com o Millennium BCP que permitirá ao maior banco privado português patrocinar a Taça de Portugal durante as próximas três temporadas (...) havendo ainda um prémio de 500 mil euros para o vencedor e de 200 mil ao outro finalista. Se o Estado, fruto do actual cenário instável dos mercados financeiro tiver de intervir no Millennium BCP, espero que alguém recorde que este patrocínio à FPF, custará aprox. 2,1 milhões de euros. Enquanto contribuinte preocupa-me.
Escusado falar no gigante AIG.

Mensagens de colegas sobre as manifestações de 8 de Novembro e 15 de Novembro


Mensagem recebida por mail e que aqui divulgo com a devida autorização da autora:
Paulo e Ramiro:
1. Porque vos considero duas pessoas de bom senso, permitam-me enviar-vos o seguinte mail que colocarei também nos vossos blogues. É evidente que é uma opinião e respeito todas as outras, mas pensemos que por muita adesão que parece transparecer nos comentários em relação a dia 15 e por muitos professores (milhares) que por aqui passam, a força da blogosfera ainda não chega à força da Comunicação social e essa só vai falar de dia 15. Não demos tiros nos pés!!!
“Tenho pensado muito sobre o assunto desde ontem e, se me permitem, dou a minha opinião!
2. DUAS manifestações no espaço de uma semana é um suicídio!
-A comunicação social praticamente não fala de dia 15!
-Mário Nogueira errou e MUITO ao não aceitar o dia 15, já que pretendia uma manifestação em Novembro (Será que pretendia ou foi arrastado pelo movimento que surgiu na blogosfera?)
-Estamos MUITOS zangados com os Sindicatos e temos razão para isso. Mas será que neste momento o nosso INIMIGO são os SINDICATOS?
-O que ganhamos com este braço de ferro?
TOTALMENTE de acordo com o que aqui se tem dito, os Sindicatos deveriam ter seguido a vontade dos Professores.Mas não o fizeram…mas a nossa LUTA, repito, agora deve ter outro alvo e só JUNTOS e não divididos o conseguiremos.
3. Porque não dar uma bofetada de luva branca? Porque não irmos TODOS dia OITO, sem bandeiras, atrás dos sindicatos (na cauda, se quiserem)? Até podemos levar uma faixa a dizê-lo, do género SOU PROFESSOR/A NÃO SINDICALIZADA/O!
Eu não sou sindicalizada, nunca fui e na minha (já longa !) vida de professora! Fui a DUAS únicas manifestações: dia 8 de Março e uma distrital. Estava determinada e entusiamada em ir dia QUINZE! Ontem fiquei com o coração partido quando ouvi o MN. Decidi a quente NUNCA mais ir a uma manifestação. Hoje, porque cheguei à conclusão de que não quero NADA do Mário Nogueira mas sim a dignidade que me roubaram, vejo que não é às turras uns com os outros que vamos conseguir.
Sei que MUITOS de vocês não concordam com esta minha posição mas permitam-me o desabafo.
Se houver duas manifestações provavelmente não vamos a nenhuma: o meu cara metade também é Professor.
Um abraço a todos.
. Sou Titular, 10º escalão Coordenadora de Departamento e avaliadora mas completamente revoltada com o que se passa na Escola em Portugal.
Francisca S. Lopes
Comentário:
Mário Nogueira tem andado calado, existe a possibilidade de ter assinado um acordo secreto com o Ministério de Educação.
Não sou sindicalizado ( os actuais sindicatos estão muitos ligados aos actuais partidos políticos, e alguns cargos sindicais servem de trampolim para lugares de relevo nos partidos, e os actuais sindicatos não servem a classe dos dos professores).Apesar disso, continuo a considerar os sindicatos necessários. Tal como os partidos: são maus, mas necessários. Tal como esta democracia: é má, mas necessária. Enquanto o processo histórico não criar um regime melhor e organizações profissionais mais adequadas, temos de viver com que temos. Posto isto, decidi ir à manifestação do dia 8/11. Ainda há tempo de fazermos uma única manifestação. O apelo da colega Francisca Lopes faz sentido. Vamos reflectir nele? Sem quaisquer ilusões sobre os sindicatos. Mas também sem acrimónia. Sem azedume!

Tuesday, October 14, 2008

Paradoxo do nosso tempo

Este texto, de George Carlin, foi recebido por e-mail e considerado importante como tema de reflexão, pelo que o transcrevo, aproveitando o título original.

Nós bebemos demais, fumamos demais, gastamos sem critérios, dirigimos rápido demais, ficamos acordados até muito mais tarde, acordamos muito cansados, lemos muito pouco, assistimos TV demais e rezamos raramente. Multiplicamos nossos bens, mas reduzimos nossos valores. Nós falamos demais, amamos raramente, odiamos frequentemente. Aprendemos a sobreviver, mas não a viver; adicionamos anos à nossa vida e não vida aos nossos anos. Fomos e voltamos à Lua, mas temos dificuldade em cruzar a rua e encontrar um novo vizinho. Conquistamos o espaço, mas não o nosso próprio. Fizemos muitas coisas maiores, mas pouquíssimas melhores. Limpamos o ar, mas poluímos a alma; dominamos o átomo, mas não o nosso preconceito; escrevemos mais, mas aprendemos menos; planejamos mais, mas realizamos menos. Aprendemos a nos apressar e não, a esperar. Construímos mais computadores para armazenar mais informação, produzir mais cópias do que nunca, mas nos comunicamos menos. Estamos na era do 'fast-food' e da digestão lenta; do homem grande de carácter pequeno; lucros acentuados e relações vazias. Essa é a era de dois empregos, vários divórcios, casas chiques e lares despedaçados. Essa é a era das viagens rápidas, fraldas e moral descartáveis, das rapidinhas, dos cérebros ocos e das pílulas 'mágicas'. Um momento de muita coisa na vitrine e muito pouco na despensa. Uma era que leva essa carta a você, e uma era que te permite dividir essa reflexão ou simplesmente clicar 'delete'. Lembre-se de passar tempo com as pessoas que ama, pois elas não estarão por aqui para sempre. Lembre-se de dar um abraço carinhoso num amigo, pois não lhe custa um centavo sequer. Lembre-se de dizer 'eu te amo' à sua companheira(o) e às pessoas que ama, mas, em primeiro lugar, ame... Ame muito. Um beijo e um abraço curam a dor, quando vêm de lá de dentro. O segredo da vida não é ter tudo que você quer, mas AMAR tudo que você tem! Por isso, valorize o que você tem e as pessoas que estão ao seu lado.

Professores preparam manifestação para 15 de Novembro

Vários movimentos de professores agendaram uma manifestação para 15 de Novembro, em Lisboa, em protesto contra o modelo de avaliação de desempenho que afirmam estar a provocar "enorme cansaço e saturação" entre a classe.
"A implementação do modelo de avaliação de desempenho está a provocar um cansaço e saturação enormes entre os professores, que passam horas e horas a preencher grelhas, fichas e planos que não têm nenhuma repercussão positiva na qualidade das aulas e no processo do ensino e das aprendizagens", afirmou Octávio Gonçalves, coordenador do Movimento Promova.
Em declarações à Agência Lusa, o responsável adiantou que a iniciativa está a ser divulgada através de blogues, sms e e-mail, pelo que é de esperar uma "significativa" adesão dos docentes, sendo o lema do protesto "uma escola, um autocarro".
"O sentimento dos professores é que simplesmente não há nada para negociar. Rejeitam o modelo de avaliação de desempenho dos professores e o seu fundamento, que é a divisão da carreira em duas categorias hierarquizadas", acrescentou Octávio Gonçalves.
A última manifestação de professores, organizada pelos sindicatos, reuniu em Lisboa mais de 100 mil pessoas, a 8 de Março

Monday, October 13, 2008

Professores de Chaves aprovam documento a contestar avaliação de desempenho

( publicado no ProfAvaliação de Ramiro Marques )

"Obtive informação, esta manhã, de que os professores de várias escolas do concelho de Chaves reuniram com o objectivo de redigirem um documento de contestação às fichas de avaliação de desempenho. O documento deverá ser lido nas reuniões de departamento marcadas para a próxima terça-feira.. O documento será objecto de deliberação na reunião geral de professores de um das escolas de Chaves (não indico o nome enquanto a reunião não se realizar).
No documento aprovado pelo grupo de professores de várias escolas de Chaves, pode ler-se:
"Depois de analisadas as grelhas de avaliação e de observação de aulas propostas pelo coordenador do departamento, os professores concluíram que se trata de instrumentos de operacionalização que:
1. revelam limitações, arbitrariedades, incoerências e injustiças impeditivas de uma avaliação objectiva e equitativa dos docentes;
2. assentam numa perspectiva burocrática, quantitativa e redutora da avaliação de desempenho
3. não promovem a melhoria do ensino.
Conscientes de que tudo isto decorre da regulamentação que nos querem impor, decidimos recusar toda e qualquer avaliação que esteja subjacente ao decreto regulamentar 2/2008 de 10 de Janeiro por considerarmos que ela subverte todos os valores que devem nortear a educação. "
( publicado no ProfAvaliação )

Saturday, October 11, 2008

As razões do êxodo

( clique sobre a imagem para melhor visualização )
Notícia do Sol, a ser lida com muita atenção, em especial pelos críticos dos professores e por todos os que acham que se vão embora os medíocres e os que não tinham vocação para a função, porque eram apenas licenciados a dar aulas (corrente tavarista-rangeliana-moitadedeusinha).
Numa das melhores escolas públicas do país, saem muitos dos seus melhores elementos e certamente aqueles que ajudaram a moldar a história daquela instituição educativa verdadeiramente de referência.
Não estamos a falar de gestores de sucesso que vivem de negócios e contratos preferenciais com o Estado, ou daqueles que ajudaram a afundar instituições financeiras, que negociaram em off-shores produzindo prejuízos imensos ou que absorveram fundos comunitários sem produzir riqueza para mais do que si próprios. Ou mesmo de autarcas que distribuíram frigoríficos ou casas municipais às resmas, conseguindo com isso, em vários casos, ascender a cargos da maior responsabilidade na condução do país.
Estamos a falar de pessoas com 30 ou mais anos de uma carreira digna, que deram o melhor de si e que agora se fartaram de ser desrespeitados.
Não os considero desistentes. Considero-os sensatos. Há que saber até que ponto o sacrifício pessoal faz sentido.

Friday, October 10, 2008

A Valquíria ao ar livre


Às 18.30, no Largo de São Carlos, uma boa iniciativa do Teatro homónimo: projecção, em grande ecrã, da gravação da primeira jornada do Anel do Nibelungo, A Valquíria. Encenação de Graham Vick (bem melhor do que a de Siegfried presentemente em cena e que é projectada em directo no domingo, às 16 horas) para o TNSC em Fevereiro deste ano. Vale a pena rever. É de borla.

Crise financeira explicada por Frei Beto

(Transcrição de texto recebido por e-mail.)
No fim encontram-se alguns dados biográfios do autor.
Apesar da sua ideologia, a análise não se afasta muito de outras de autores de sectores diferentes.
O abalo dos muros
Frei Betto
NO PRÓXIMO ano, completam-se 20 anos da queda do Muro de Berlim, símbolo da bipolaridade do mundo dividido em dois sistemas: capitalista e socialista. Agora assistimos ao declínio de Wall Street (rua do Muro), na qual se concentram as sedes dos maiores bancos e instituições financeiras. O muro que dá nome à rua de Nova York foi erguido pelos holandeses em 1652 e derrubado pelos ingleses em 1699. Nova Amsterdam deu lugar a Nova York.O apocalipse ideológico no Leste Europeu, jamais previsto pelos analistas, fortaleceu a ideia de que fora do capitalismo não há salvação. Agora, a crise do sistema financeiro derruba o dogma da imaculada concepção do livre mercado como única panaceia para o bom andamento da economia.Ainda não é o fim do capitalismo, mas talvez seja a agonia do carácter neoliberal que hipertrofiou o sistema financeiro. Acumular fortunas tornou-se mais importante que produzir bens e serviços. A bolha especulativa inflou e, súbito, estourou. Repete-se, contudo, a velha receita: após privatizar os ganhos, o sistema socializa os prejuízos. Desmorona a cantilena do "menos Estado e mais iniciativa privada". Na hora da crise, apela-se ao Estado como bóia de salvamento na forma de US$ 700 biliões (5% do PIB dos EUA ou o custo de todo o petróleo consumido em um ano naquele país) a serem injectados para anabolizar o sistema financeiro. O programa Bolsa-Fartura de Bush reúne quantia suficiente para erradicar a fome no mundo.
Mas quem se preocupa com os pobres?
Devido ao aumento dos preços dos alimentos, nos últimos 12 meses, o número de famintos crónicos subiu de 854 milhões para 950 milhões, segundo Jacques Diouf, director-geral da FAO (Fundo das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação).
Quem pagará a factura do Proer usamericano?
A resposta é óbvia: o contribuinte. Prevê-se o desemprego imediato de 11 milhões de pessoas vinculadas ao mercado de capitais e à construção civil. Os fundos de pensão, descapitalizados, não terão como honrar os direitos de milhões de aposentados, sobretudo de quem investiu em previdência privada. A restrição do crédito tende a inibir a produção e o consumo. Os bancos de investimentos colocam as barbas de molho. Os impostos sofrerão aumentos. O mercado ficará sob regime de liberdade vigiada: vale agora o modelo chinês de controlo político da economia, e não mais o controle da política pela economia, como ocorre no neoliberalismo. Em 1967, J.K. Galbraith chamava a atenção para a crise do carácter industrial do capitalismo. Nomes como Ford, Rockefeller, Carnegie ou Guggenheim, exemplos de empreendedores, desapareciam do cenário económico para dar lugar à ampla rede de accionistas anónimos. O valor da empresa deslocava-se do parque industrial para a Bolsa de Valores.Na década seguinte, Daniel Bell alertaria para a íntima associação entre informação e especulação e apontaria as contradições culturais do capitalismo: o ascetismo (= acumulação) em choque com o estímulo consumista; os valores da modernidade destronados pelo carácter iconoclasta das inovações científicas e tecnológicas; lei e ética em antagonismo quanto mais o mercado se arvora em árbitro das relações económicas e sociais.Se a queda do Muro de Berlim trouxe ao Leste Europeu mais liberdade e menos justiça, introduzindo desigualdades gritantes, o abalo de Wall Street obriga o capitalismo a se repensar.
O casino global torna o mundo mais feliz?
Óbvio que não. O fracasso do socialismo real significa vitória do capitalismo virtual (real para apenas um terço da humanidade)?Também não.Não se mede o fracasso do capitalismo por suas crises financeiras, e sim pela exclusão - de acesso a bens essenciais de consumo e direitos de cidadania, como alimentação, saúde e educação - de dois terços da humanidade. São 4 biliões de pessoas que, segundo a ONU, vivem entre a miséria e a pobreza, com renda diária inferior a US$ 2. Há, sim, que buscar, com urgência, um outro mundo possível, economicamente justo, politicamente democrático e ecologicamente sustentável.

Observação: Carlos Alberto Libânio Christo, conhecido como Frei Betto, (Belo Horizonte, 25 de Agosto de 1944) é um escritor e religioso dominicano brasileiro, filho do jornalista António Carlos Vieira Christo e da escritora e colunista Stella Libânio. Professou na Ordem Dominicana, em 10 de Fevereiro de 1966, em São Paulo. Adepto da Teologia da Libertação, é militante de movimentos pastorais e sociais, tendo ocupado a função de assessor especial de Luiz Inácio Lula da Silva, Presidente da República, entre 2003 e 2004.(Para ver mais: http://pt.wikipedia.org/wiki/Frei_Betto)

Algumas questões pertinentes de José Pacheco Pereira

Agora que a crise internacional vai servir para tapar tudo, a começar pelo insucesso do governo, ficam algumas (das muitas) questões pertinentes a José Pinto de Sousa , enunciadas por Pacheco Pereira:

Será que Vossa Excelência me permite lembrar aos portugueses que todos os números decisivos da economia portuguesa já eram maus antes da crise internacional, que agora serve de pretexto para encobrir o falhanço da política do governo?

Será que Vossa Excelência me permite perguntar sobre todo este estendal de ofertas do “Magalhães” nas escolas, sobre quem o pagou, como foi feita a escolha deste computador, da fábrica que o produz sem concurso público, que compromissos tem o governo com essa empresa, que pedagogos disseram ao governo que era útil as crianças do básico terem computadores individuais, etc,, etc,?

Será que Vossa Excelência me permite perguntar porque razão cada vez mais os grandes negócios públicos se fazem no seu e no gabinete dos ministros, sem escrutínio, evitando concursos públicos, anunciando tudo como facto consumado em nome da “eficácia” e se não o preocupa o enorme potencial para o tráfico de influência e corrupção que tais práticas permitem?

Será que Vossa Excelência me permite perguntar sobre como é que num momento em que todos os governantes passam horas e horas a trabalhar a tentar resolver a crise financeira, a sua alta figura arranja todos os dias muito tempo, para fazer sessões de propaganda, como se estivesse desocupado da governação?

Será que Vossa Excelência me permite continuar a perguntar a lista infinda de coisas que exigem ser escrutinadas por detrás das nuvens da propaganda, da enorme complacência dos interesses instalados e da escassa independência das pessoas num pais como o nosso e num governo com o estilo de pau e cenoura como o seu?

O país oficialmente feliz

Este é um país oficialmente feliz. Enquanto as bolsas mundiais se afundam, o Parlamento português discute costumes como quem deglute pastéis de Belém numa manhã de primavera. Temos - e teremos- tudo o que merecemos.

Autarquias confirmam notificação para pagar Internet do Magalhães

Ver noticia
A Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP) confirmou à TSF que há autarquias que estão a ser notificadas pelo Ministério da Educação para pagarem a factura total ou parcial da Internet dos computadores Magalhães.Segundo a Associação, centenas de cartas timbradas estão a chegar às autarquias para que estas passem a assumir um encargo anual de 300 euros pela ligação à Internet em banda larga de cada computador Magalhães, nomeadamente 45 euros pelo modem e 250 pela ligação.Estas cartas já foram enviadas pelo menos pela Direcção Regional de Educação do Norte e pela Direcção Regional de Educação da Zona Centro.A situação levou a que os autarcas reunissem quarta-feira de urgência o Conselho Directivo, onde foi decidido não assumirem quaisquer responsabilidades ou encargos, apurou a TSF.Neste sentido, a Associação notificou todas as autarquias, incluindo as lideradas por executivos do PS, para não pagarem as facturas.
Ora 500.000 computadores vezes 300 euros dá… dá… ora 5×3 dá 15, mais aqueles zeros todos…Diacho, dá um porradão de dinheiro…250 euros pela banda larga gratuita nas escolas?Por cada um dos computadores?Mesmo se fossem 12 meses de calendário escolar daria mais de 20 euros mensais.Tem a sua graça, tem a sua graça. Mas é bem feita.
Desde que a tmn apresente bons resultados aos accionistas não há problema…

O artigo 37º do CPA é muito importante

( enviado por colega, por correio electrónico)

Colegas:Acabo de saber que da reunião do Pedagógico da Casa Branca (Escola Alice Gouveia de Coimbra ) suspenderam a avaliação por decisão do conselho pedagógico ,onde foi confirmada a ilegalidade referida mais abaixo. A questão irá ser levantada noutras escolas. Será importante que nas nossas escolas ,menbros do Pedagógico levantem o problema brevemente. É para todos os efeitos a legalidade que está em causa.



O Artigo 37º do CPA e a Aval. de profs

'No fórum da DGRHE, foi feita a seguinte pergunta sobre a publicação do despacho de delegação de competências de avaliação:'É necessário que o despacho de delegação de competências de avaliação proferido pelo Presidente do Conselho Executivo seja publicado em Diário da Républica para ter efeito legal, ou um despacho interno será o suficiente?'Re: Delegação de Competências by dgrhe - Quinta, 2 Outubro 2008, 05:30'Sim, os actos de delegação de poderes estão sujeitos a publicação no Diário da República, tal como está estipulado no Artigo 37º do Código de Procedimento Administrativo.'

O que significa que os actos praticados antes disso são ilegais!!!in http://www.profblog.org/2008/10/o-despacho-de-delegao-de-competncias-de.html

J. Vieira Lourenço

Thursday, October 09, 2008

Mais um golpe de magia de Pinto de Sousa

Mais de 60 por cento das empresas está isenta de imposto.
Maioria das empresas já não paga taxa de IRC -
A descida da taxa de IRC anunciada ontem pelo primeiro-ministro no Parlamento e que José Pinto de Sousa garantiu beneficiar "cerca de 80 por cento das empresas portuguesas", poderá passar ao lado da maioria destas mesmas empresas.
-
O Código do IRC em vigor prevê uma única taxa geral de tributação de 25 por cento. Mas segundo o primeiro-ministro, e à semelhança do que se passa com o IRS, as empresas vão passar a ser tributadas de forma progressiva. Os primeiros 12.500 euros de matéria colectável serão tributados a uma taxa de 12,5 por cento e o restante à taxa de 25 por cento. A medida fará parte da proposta de Orçamento para 2009 e, segundo o Governo, destina-se a apoiar particularmente as Pequenas e Médias Empresas (PME) face às dificuldades provocadas pela actual crise financeira internacional.
-
Mas segundo as estatísticas da Direcção-geral dos Impostos (DGCI) e respostas dadas por fonte oficial do Ministério das Finanças à Agência Lusa, a medida poderá não atingir a maioria das empresas. Primeiro, porque as estatísticas da DGCI referentes a 2006, as únicas publicadas, mostram que das mais de 317 mil declarações de imposto entregues naquele ano, apenas 36 por cento apresentaram resultados suficientes para que tivessem de pagar imposto. Logo, se tal se mantiver, só estas empresas irão beneficiar desta redução de taxa porque, na prática, as restantes já não pagam IRC.
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comentário: Mais um golpe de magia do grande mago Sousa : baixar o IRC às PME, até à matéria colectável de 12.500 euros pagam "só" 12,5%, mas SÓ em 2010! A matéria colectável é a de 2009 e não a de 2008!!! Quanto ao abono de família, o 13º só vai ser pago em finais do próximo ano...É o maior! Maior demagogo não há!!!
.

Figura ridícula

O PS votará disciplinadamente contra os projectos dos "Verdes" e do "BE" sobre casamentos entre same sexers. A seguir, o sr. Martins entrega uma "declaração" em nome do rebanho favorável...aos casamentos entre same sexers. Tenho pena que alguns deputados da maioria, que respeito, se prestem a esta figura ridícula ditada tanto pelo mero oportunismo eleitoral como pela má consciência. Isto nada tem a ver com ser a favor ou contra o assunto, ou a considerá-lo ou não como prioritário (na minha opinião nem sequer é). Tem a ver com carácter, uma coisa que, pelos vistos, não abunda naquele imbecil colectivo*.

Wednesday, October 08, 2008

Um dos objectivos do ME está a ser conseguido

Ver noticia do JN

Desmoralizar alguns dos professores mais dedicados às escolas, repetidamente ofendidos pela tutela ao longo de 3 anos, após uma carreira profissional quantas vezes exemplar.
A recompensa foi envergonhá-los publicamente, tentar virar a opinião pública contra eles - o que não conseguiu, para além dos grupúsculos de ressabiados do costume - e dificultar-lhes as condições de trabalho na fase final da carreira.
Muitos batem com a porta, com evidentes sacrifícios materiais em termos de aposentação. Mas isso é o que os homens de cinzento das Finanças pretendiam e os valteres e as marias da 5 de Outubro foram encarregues de fazer.
Quem perde com isto: os alunos, em primeiro lugar. O sistema educativo em segundo. Os colegas, em terceiro. Porque partem muitos professores experientes e com muito a ensinar para além de preencher papelada e serem obrigados a avaliar colegas contra sua vontade.
Mas está tudo bem, quando este capital humano pode ser substituído por professores contratados em cíclicas com horários incompletos e instruções para os não completar (um professor que se aposente e cujo horário tivesse reduções, implica um horário incompleto para um contratado), enquanto os generalistas não chegam.

Quatro mil pediram a reforma nos 10 primeiros meses.Carga burocrática excessiva retira tempo para os alunos. Em 2008 já se reformaram quase quatro mil professores e educadores de infância. E, apesar de perderem regalias, cada vez mais optam pela reforma antecipada. Só no mês passado houve 510 docentes a reformar-se.
Das duas uma: os professores portugueses estão a ficar velhos ou cansados. O JN comparou as listas de aposentados da função pública e constatou que, de um ano para o outro, estão a reformar-se, todos os meses, duas vezes mais professores e educadores de infância.
Por exemplo, comparando o mês de Setembro deste ano com o do ano anterior verifica-se que o número de aposentados mais que duplicou: de 249 passou para 510. Esta é uma tendência que parece estar a ganhar forma porque o número de professores e educadores de infância que se reformaram este mês de Outubro (322) é bem maior do que os reformados no conjunto de Outubro e Novembro de 2007 (272).
Ao todo e ainda com dois meses para contabilizar, este ano já pediram a reforma 3821 professores e educadores de infância. Sendo que os meses com mais reformas concretizadas foram Setembro (510) e Agosto (485) e o com menos foi o mês de Maio (126).
Como parece pouco crível que de um ano para o outro a população docente tenha envelhecido brutalmente e atendendo a que muitos pedem a reforma antecipadamente, sujeitando-se às respectivas penalizações (ver caixa), a resposta mais provável é que eles andam mesmo cansados e fartos. De quê, só os próprios poderão responder.
“Os professores estão saturados e desmotivados e, por mais que tentemos que não saiam prejudicados querem a reforma de qualquer maneira e com qualquer idade”, diz Teresa Maia Mendes, do Sindicato de Professores do Norte. Esta docente auxilia os professores a calcularem quais os termos em que se poderão reformar e, por isso, conhece bem os motivos. Na sua opinião, “muitos professores, especialmente os que estão em topo de carreira, não estão a conseguir aguentar o ritmo da escola e dizem que mais vale sair com qualquer coisa porque, com o desgaste que estão a ter, vão acabar é no cemitério antes da idade da reforma”.
A professora tem visto no Diário da República vários professores com pensões baixas o que significa que “muitos não estão a aguentar ir até ao fim”. E comprova isso todos os dias pessoalmente. “Temos muitos pedidos de ajuda para a reforma antecipada e, mesmo avisando que vão ter uma quebra enorme com a aposentação, eles dizem que o clima nas escolas está impraticável e que não há maneira de dar a volta. Por isso, raramente mudam de opinião e fogem em frente”, explicou ao JN.

Viagens ao fim da noite



As pequenas e médias empresas, um "nicho" que costuma encher a retórica política entre nós, têm à volta de trinta mil trabalhadores que não receberam subsídio de férias. Provavelmente a coisa alastrará ao de natal e, fatalmente, aos salários. No comércio, cerca de duas a três dezenas de estabelecimentos - pequeninos e pequenos - vão fechando diariamente as portas o que arrasta para o desemprego duas a três pessoas por dia. Como nada funciona sem crédito e como o crédito tem cada vez menos crédito, é praticamente seguro que a crise do sistema financeiro paralise ainda mais a já nossa paralítica economia que tem vivido quase exclusivamente do esplendor dos anúncios e da propaganda. Como no Anel do Nibelungo, a "mansão do deuses" vai arder e ouro regressa às aguas primordiais. Espanha (esse modernaço e inconsequente Zapatero), França, Irlanda, talvez a Alemanha, todos estes "Walhalla" ameaçam trevas. Como nos acordes finais do Crepúsculo dos Deuses, já sem deuses, homens e nada, emerge uma esperança. Duma coisa dificilmente nos vamos livrar. De viajar, embalados ou "realistas", ao fim da noite.

Tuesday, October 07, 2008

Empresa que produz computadores" Magalhães" vai a tribunal

Ver noticia do Publico
A JP Sá Couto, empresa responsável pela produção dos computadores “Magalhães”, é arguida num processo de fraude e fuga ao IVA, onde o Estado terá saído lesado em mais de cinco milhões de euros, avança hoje a Rádio Renascença (RR).
Um dos administradores, João Paulo Sá Couto, é, juntamente com a empresa, acusado da prática dos crimes de associação criminosa e de fraude fiscal.
Segundo RR, os arguidos não conseguiram produzir prova capaz de pôr em causa os factos apresentados pelo Ministério Público, durante a fase de instrução, por isso o processo avançará para julgamento.
O total de 41 arguidos, dos quais faz parte a empresa que produz o portátil Magalhães e um dos seus administradores, são acusados de pertencer a um esquema no ramo da informática, conhecido como “fraude Carrossel”.
No esquema em causa eram feitas transmissões sucessivas em círculo dos mesmos bens entre diversos operadores sedeados em mais do que um estado da União Europeia. Desta forma, os operadores no seu país conseguiam não pagar o IVA, que tinham em dívida.
Mas são inocentes até prova em contrário, o que como sabemos, por cá, é extremamente dinâmico.

Será que os tribunais andam a perseguir Valter de Lemos ?

É uma sentença do Tribunal Fiscal e Administrativo de Castelo Branco datada de 25 de Setembro de 2008 . É uma sentença do Tribunal que impugna o acto de deliberação que homologa a lista de classificação final de concurso documental para professor adjunto na Escola Superior de Tecnologia do Instituto Politécnico de Santarém. O concurso fora aberto pelo edital nº 580/2004, publicado no Diário da República nº 122, II Série de 25/04/2004. O edital fora assinado por Valter Lemos , Presidente do Instituto Politécnico de Castelo Branco até 2005.

Tráfico de influências

O mandato de José Pinto de Sousa aproxima-se do fim e, como sempre acontece neste paraíso democrático que é Portugal, sucedem-se as histórias mal explicadas sobre "adjudicações" de contratos sem qualquer debate ou concurso público. A primeira veio logo com a medida de vanguarda do executivo para combater a crise financeira internacional: atribuir computadores portáteis a todas as crianças a partir dos 6 anos de idade, no âmbito do programa que ficou conhecido por e-escolinha. Pois bem: até agora não sabemos que empresa irá fazer o investimento, quais os objectivos de curto e médio prazo da parceria instituída com o Estado, quais são as contrapartidas e que mecanismos de controlo estão ao dispor das autoridades nacionais relativamente à execução do projecto. Ouvimos falar na portuguesa JP Sá Couto que irá patrioticamente construir o portátil com componentes "quase" todos oriundos de Portugal, mas até agora não houve uma única explicação oficial sobre os termos do contrato.A última grande novela tem como protagonista principal o socialista Jorge Coelho. Não sei se alguém fica admirado com o facto de o antigo Ministro das Obras Públicas de Guterres ter sido convidado para Presidência do grupo Mota-Engil, mas penso que a dúvida sobre a existência de interesses paralelos é perfeitamente justificável. Não creio que se trate de contratar alguém capaz de procurar favores pessoais em nome desta ou daquela sociedade, mas convenhamos: ninguém pode acreditar que a negociação entre o executivo e a administração do grupo será total e absolutamente isenta.É aqui que reside a grande fraqueza de José de Sousa: na falta de habilidade para controlar pequenos acontecimentos capazes de gerar grandes cataclismos políticos. Possivelmente esta foi mais uma adjudicação perfeitamente justificável e válida; provavelmente até não existiriam condições mais vantajosas para o erário público. Mas, com tanto funcionário a sair às 4h da tarde dos serviços administrativos, será que não há mão-de-obra suficiente para lançar uma consulta pública com vista à celebração do respectivo contrato no final do processo de concurso?Em todo o caso, novos capítulos devem estar para breve: o executivo entra no seu último mandato e há ainda muitos novos "investimentos" que precisam de ser feitos com urgência.V. Público

Monday, October 06, 2008

Está certo

Enquanto o mundo se afunda suavemente,entre nós existe uma quebra acentuada da natalidade,José Pinto de Sousa anuncia creches. Quatrocentas. As mesmas quatrocentas. Pela segunda vez. Amanhã há mais, em Azeitão. Está certo.

Presidente da CCAP saíu

A lista foi aprovada pelo despacho 6753/2008. Que eu saiba, a lista ainda só teve uma baixa: a presidente do CCAP. Conceição Castro Ramos (59 ou 60 anos de idade) pediu a aposentação e não esperou pelo final do ano lectivo para sair. Os outros mantêm-se em funções. Poderiam ter aproveitado a saída da presidente para terem uma atitude digna. Não quiseram acompanhar a presidente do CCAP. Optaram por ficar. Ao fim de 6 meses de funções, não podem invocar desconhecimento. Foi uma opção consciente. Estão do lado da ministra. Bastaria um pequeno gesto - a demissão - para lançarem no descrédito o modelo burocrático de avaliação. Um modelo que lançou a vida dos professores num inferno. Estou em crer que não serão capazes desse gesto.
Eis a lista:
Em exercício efectivo de funções na educação pré - escolar ou nos
ensinos básico e secundário:
Arsélio de Almeida Martins, professor de Matemática da Escola Secundária com 3.º Ciclo de José Estêvão, em Aveiro;
Jorge Manuel Horta Trigo Mira, professor de Educação Física, da Escola Secundária José Gomes Ferreira, em Lisboa;
José Joaquim Ferreira Matias Alves, professor de Português, da Escola Secundária de Gondomar; em Gondomar;
Maria João Alves Ferreira Guerra Mexia Leitão, professora de Física, da Escola Secundária de Pedro Nunes, em Lisboa;
Mário José de Jesus Duarte Silva, professor do 1.º ciclo do quadro da Escola EB1 Várzea de Sintra, do Agrupamento de Escolas D. Carlos I, em Sintra.
Em representação das associações pedagógicas e científicas de professores:
Ludgero Paula Nobre Leote, em representação da Associação Nacional de Professores de Electrotecnia e Electrónica (ANPEE);
Matilde Lopes Oliveira Azenha, em representação da Associação Portuguesa de Professores de Biologia e Geologia (APPBG);
Maria Cristina Valente Bastos Dias, em representação da Associação Portuguesa de Professores de Inglês (APPI);
Maria Helena Oliveira Ângelo Veríssimo, em representação da Associação de Professores de História (APH);
Alexandra Castanheira Rufino Marques, em representação da Associação de Profissionais de Educação de Infância (APEI).
De reconhecido mérito no domínio da educação:
Ana Paula dos Reis Curado, assessora principal na Reitoria da Universidade de Lisboa;
António Caetano, professor associado com agregação, do Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa;
José Manuel Borges Romeiras Palma, inspector superior principal do Ministério da Educação.
Maria do Céu Neves Roldão, professora -coordenadora com agregação, aposentada
Maria Eugénia Neto Ferrão da Silva Barbosa, professora auxiliar com agregação da Universidade da Beira Interior;
Maria Helena Mendes Carneiro Peralta, professora auxiliar da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação, da Universidade de Lisboa;
Natércio Augusto Garção Afonso, professor auxiliar convidado da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação, da Universidade de Lisboa.
Em representação e indicados pelo conselho das escolas:
Fernando Paulo Mateus Elias, presidente do conselho executivo do Agrupamento de Escolas de Colmeias, em Leiria;
José Alberto de Queirós Ramos, presidente dos conselhos executivo, pedagógico e administrativo da Escola Secundária João Gonçalves Zarco, em Matosinhos;
Rogério Conceição Bacalhau Coelho, presidente dos conselhos executivo, pedagógico e administrativo da Escola Secundária de Pinheiro e Rosa, em Faro.

M.E. não disse uma única palavra sobre o dia do professor


A Página Web do ME ignorou o Dia Mundial do Professor. Nem uma referência, nem uma palavra. Já sabíamos que a ministra da educação não morre de amores pelos professores. Valha a verdade, o desamor é recíproco. Acusamos a ministra da educação de ter destruído a profissão docente e de ter criado inúmeros obstáculos ao exercício das funções lectivas. Não a podemos acusar de hipocrisia. É por isso que compreendo e aceito a ausência de referências ao Dia Mundial do Professor. Se a ministra tivesse dito alguma coisa, ninguém acreditaria na autenticidade das palavras. Foi melhor assim.

Saturday, October 04, 2008

Giuseppe Verdi



Coro dos ( zingaros ) ( gitanos ) ciganos da ópera Il Trovatore de Giuseppe Verdi

Mal casados


A democracia casou com os portugueses mas os portugueses não casaram com a democracia. Esta afirmação é decalcada de uma outra mais prosaica que alguns mulherengos irredutíveis faziam no passado. Diziam: Casado, eu? Não! A minha mulher é que pensa que está casada comigo, mas eu não me sinto casado com ninguém.A democracia é, antes de mais, uma cultura de diálogo e de consensos. Independentemente da estrutura constitucional e da organização administrativa do País, a democracia depende da existência de democratas e os portugueses são pouco democráticos.Quem tivesse dúvidas, bastaria acompanhar o processo de aprovação do pacote Bush /Paulson, nos EUA, para perceber do que estou a falar. A colaboração entre o executivo e o legislativo, a negociação constante e o espírito bipartidário, tanto no Senado como no Congresso. É um processo complicado, cheio de percalços e solavancos, mas equilibrado no final.Em Portugal, o processo democrático é tosco, porque os políticos, como bons portugueses, não se sentem casados com a democracia. São autoritários e autistas. Não ouvem as vozes da oposição e não valorizam opiniões independentes. Reflictam apenas sobre os investimentos que o governo está a planear, no novo aeroporto de Alcochete e no TGV, e façam comparações. Se o valor destas obras representar 5% do PIB corresponde “grosso modo” ao esforço de 700 biliões que os EUA estão a fazer para salvar o sistema financeiro. Não será necessário um grande consenso nacional?Deste modo vai ser muito difícil manter o casamento dos portugueses com a democracia e, um dia, todos vamos descobrir que afinal ninguém se sente casado com ninguém.

Friday, October 03, 2008

A nova nobreza

De vez em quando o país é surpreendido com notícias que nos dão conta das benesses concedidas a uma casta ou do ordenado chorudo pago a um qualquer administrador de uma empresa pública. O último caso foi o caso das casas da CML que, ao que parece, tinham o seu próprio mercado restrito a familiares e a amigos de presidentes, vereadores e outras personalidades influentes da autarquia.
Tal como passado o Zé Povinho já estava habituado aos privilégios da monarquia também agora estas situações, que tanto agitam a classe política, já não despertam grandes agitações, o povo considera isto uma carga que tem que carregar, dantes eram os nobres , agora são os afilhados de uma classe política oportunista. É uma história de séculos que levou os portugueses a ter paciência de plebe.
Em tempos descobriu-se que alguns administradores de institutos ficavam com os bólides adquiridos em leasing mediante o pagamento de um valor residual irrisório, depois soubemos das fortunas ganhas pelos administradores hospitalares que até podem ser donos de empresas que vendem serviços aos próprios hospitais, Luís Cunha deixou o cargo de ministro das Finanças depois de se saber da pensão vitalício que usufrui desde que deixou a administração daquele banco, agora soubemos das casas da Câmara Municipal de Lisboa. Daqui a algum tempo ficaremos a saber de mais algum esquema montado para beneficiar uma qualquer casta, porque as nossas elites de gabinete poderão ser incompetentes mas não lhes falta criatividade na hora de fazerem pela sua vida.
Temos, portanto, uns "republicanos" que decidiram criar esquemas que lhes conferem um estatuto acima dos outros cidadãos, é gente que chegando ao poder aplica a velha regra que diz que “quem parte e reparte e não fica com a melhor parte ou é estúpido ou não tem arte”. É evidente que raramente são apanhados numa situação de ilegalidade, a pensão do Banco de Portugal é tão legal como o aluguer das casas da câmara como são todos os esquemas montados por estes espertalhões da República. Digamos que estes novos nobres quando vão tomar banho sabem onde deixam a roupa, nunca são apanhados descuidados, para eles as malhas da lei são largas e o que não é ilegal é eticamente aceitável, é a ética republicana segundo explicaram algumas personalidades.
Esta nobreza faz vida fácil, cria esquemas para os filhos entrarem nas universidades (como se viu no caso de um ministro de Durão Barroso), gera empregos para os filhos nos gabinetes ministeriais e autárquicos, conseguem carros a preço da uva mijona, obtêm-se reformas vitalícias, arranjam-se casas a baixo preço, enfim, tem-se uma vida fácil, própria de quem nasceu de rabo para o ar. A crise passa-lhes ao lado, a carga fiscal é aliviada por novos esquemas, por maiores que sejam as desgraças que o país enfrentam ficam sempre de fora no momento do sacrifício.

Pantomina

Manuel Alegre "combinou" com Pinto de Sousa fazer o "número" do indignado. Cada vez que a monolítica agremiação a que ambos pertencem se manifesta no Parlamento, Alegre, com ou sem óculos escuros, apresenta uma declaração de voto, vota contra ou vem cá fora - como agora por causa dos casamentos entre "same sexers" e a original disciplina de voto "imposta" pelo sr. Martins - dizer que é preciso "liberdade", retirando-se com aquele ar de quem carrega o peso do "mundo de esquerda" nas costas. Pinto de Sousa , com o partido desertificado e acéfalo, precisa de uma figura retórica como Alegre. E precisa, sobretudo, da figura que ele costuma fazer. Alegre necessita de Pinto de Sousa para ser, de novo, candidato presidencial, a única coisa, aliás, que o move e que está assente entre os dois há muito tempo. Por isso, volta e meia assistimos a estas pantominices. Estão bem um para o outro.

Curiosidades dos tempos modernos

Se alguém entrar em minha casa ou me assaltar na rua e me roubar as minhas economias é um “ladrão”. Se alguém permitir que outros o façam é cúmplice e por isso também ladrão. Há algum tempo iam presos, mas como a comida e o alojamento custavam dinheiro agora oferecem-lhes uma pulseira e mandam-nos para casa. Já se um banqueiro ou um politico roubar o dinheiro de poupanças ou aquele que foi junto durante uma vida de trabalho para assegurar uma pensão na velhice, é uma crise monetária. Os que roubam este dinheiro não vão presos, antes pelo contrário, recebem milionários prémios de desempenho. Encheram as contas offshores deles e de alguns amigos e governantes e, como paga, podem ir calmamente estender-se numa qualquer praia com um “Allgarve”, umas meninas ou meninos de todas as idades, (consoante os gostos) que os ajudem a passar o tempo e alguns campos de golfe onde podem ir combinando, entre duas pancadas, qual a próxima empresa onde irão sentar os seus balofos cus na cadeira da administração.

Manifesto Anti- Sarcos , um poema de Luis Costa

Basta!
Morra o Sarcos! Rá-tá-tá!
Abaixo a arrogância, a prepotência!
Abaixo a jactância e a impostura
Escondida na armadura
Fashion e macia
Desta macilenta democracia!

Basta!
Morra o Sarcos! Rá-tá-tá!
O Sarcos é um bacano
O Sarcos é um porreiro, pá,
Eleito por engano
Em domingo de nevoeiro!
O Sarcos tem um canudo
De cortiça
Um canudo de Entrudo,
Com fitas e tudo,
Comprado depois da missa!

Basta!
Morra o Sarcos! Rá-tá-tá!
O Sarcos mente ao país
Com quantos dentes tem!
Cala e fala a preceito
E não sabe o que diz.
O Sarcos não respeita ninguém
O Sarcos não tem coração:
Manda e desmanda sem jeito
O Sarcos é um anão
Do Socialismo e do Direito!

Basta!
Morra o Sarcos! Rá-tá-tá!
Um país que tem Sarcos
É um feudo ordinário,
Que fabrica pobreza
Para alimentar a avareza
Do gordo milionário!
O Sarcos vai dar de frosques,
Porque é um Robim dos Bosques
Virado ao contrário!

Basta!
Morra o Sarcos! Rá-tá-tá!
O Sarcos é um corvo,
Augúrio do retrocesso
E da liberdade esganada!
O Sarcos é um estorvo
Um empecilho de alabastro
Que nos impede o progresso!
Arranquemos este emplastro,
Esta excrescência da política
Que leva à derrocada
E à liberdade somítica!

Basta!
Morra o Sarcos! Rá-tá-tá!
E como se abate
Este bicho ignoto?
Com arma de chocolate:
O VOTO!

Basta!
Morra o Sarcos! Rá-tá-tá!

Luís CostaP.S. Com uma vénia à arte e ao engenho dewww.wehavekaosinthegarden.blogspot.com